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Candidatos à Prefeitura de SP expõem suas ideias sobre o combate à aids

João Coscelli

28 de setembro de 2012 | 17h34

SÃO PAULO – A Agência de Notícias da Aids entrevistou os sete candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto à Prefeitura de São Paulo sobre suas políticas e ideias para combater as doenças sexualmente transmissíveis (DST) na capital paulista.

Os candidatos do PSOL, Carlos Gianazzi, do PRB, Celso Russomanno e do PT, Fernando Haddad, já responderam às perguntas feitas pelos diretores das principais organizações de combate à aids de São Paulo. A candidata a vice-prefeito na chapa de Gabriel Chalita (PMDB), Marianne Pinotti, respondeu no lugar do candidato por ser médica. Nos próximos dias, serão publicadas as entrevistas de José Serra (PSDB), Paulinho da Força (PDT) e Soninha Francine (PPS).

Participam das entrevistas representantes do Grupo de Apoio e Prevenção à AIDS (GAPA), do Espaço de Prevenção e Atenção Humanizada (EPAH), do Grupo de Incentivo à vida (GIV), do Fórum de ONG/Aids de São Paulo, do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP) e do Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids (Mopaids).

Veja abaixo as respostas de cada candidato:


Carlos Giannazi (PSOL)

Qual será a principal política de combate à aids desenvolvida na Prefeitura?

A política de combate à aids em primeiro lugar tem que primar pela prevenção. Defendemos a continuação e ampliação da política de distribuição de preservativos em postos de saúde que sejam de fácil acesso, em especial nos locais mais carentes, onde por muitas vezes as pessoas não têm dinheiro para comprar o preservativo, fundamental na preservação da aids. Em segundo lugar é preciso investir em educação sexual nas escolas. É preciso mostrar as nossas crianças como prevenir a aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. Para isso, a educação tem que estar livre dos dogmas religiosos que trabalham contra essa política.

 

Celso Russomanno (PRB)

Qual será sua principal política de combate à aids na Prefeitura?

Falar abertamente sobre DSTs e aids ainda parece ser um tabu em nossa sociedade. A prevenção ainda é o melhor remédio nesse caso. Mas os contextos mudam para se trabalhar. O equipamento municipal de saúde possui em sua estrutura serviços voltados ao atendimento da população assim divididos: CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento), SAE (Serviço de Assistência Especializada), CR (Centro de Referência), AE (Ambulatório de Especialidades). Todos gratuitos.

Sabemos também que apesar de todas as campanhas para evitar o contágio, o numero de casos novos aumentou significativamente, não existindo mais grupo de risco. Ainda usar o preservativos em todas as relações sexuais (oral, anal e vaginal) é o método mais eficaz para a redução do risco de transmissão das DSTs, em especial do vírus da aids, o HIV. Outra forma de infecção conhecida é pela transfusão de sangue contaminado ou pelo compartilhamento de seringas e agulhas, principalmente no uso de drogas injetáveis. A aids também podem ser transmitidas da mãe infectada para o bebê durante a gravidez e/ou no parto, bem como na amamentação. O tratamento das DSTs/aids melhora a qualidade de vida do paciente e tende a interromper a cadeia de transmissão dessas doenças. Nesse contexto, o programa de governo trabalhará com prevenção seja no nível educacional em parceria com a Secretaria da Educação em projetos pedagógicos que tratem o tema no ensino fundamental, após devidas consultas aos pais de alunos e comunidade em geral, seja no nível de melhorar as relações entre governo e população, despindo-se de preconceitos contra os dependentes químicos e tratando os casos como saúde pública, além de manter a política de “redução de danos”, orientá-los para terapias específicas.


Fernando Haddad (PT) 

Qual será sua principal política de combate à aids desenvolvida na Prefeitura?

Em nosso governo a saúde será prioridade e serão recuperadas as diretrizes dos Governos Erundina e Marta, com novas prioridades. Retomaremos o caráter de gestão pública da saúde na cidade, sob comando da Secretaria Municipal de Saúde, sem prejuízo da realização de parcerias com entidades sérias e com tradição de atuação na área. O foco principal estará nas ações de promoção, de prevenção e nas mudanças de hábitos prejudiciais à saúde individual e coletiva, o que exigirá mudança nas ações de comunicação e de mobilização social. Entretanto, estas só farão sentido se estiverem acompanhadas de mudança do modelo existente hoje, integrando as ações de diferentes níveis de complexidade em rede de atenção municipal e em redes regionalizadas.

A atenção secundária será organizada no território de cada Subprefeitura na Rede Hora Certa (ambulatórios de especialidades, exames de imagem e cirurgias ambulatoriais) e nos Centros de Referência. Eles serão dotados de todos os profissionais necessários, organizados em equipes multidisciplinares, contratados por seleção pública, capacitados permanentemente e valorizados em seus salários e condições de trabalho.

Para que as linhas de cuidado e os protocolos de atendimento sejam efetivos há a necessidade de também agregar a esse movimento de mudança a atenção integral (UBS, Saúde da Família e Pronto-Atendimento integrados), a rede de urgência e de emergência, a área hospitalar, atenção domiciliar, reabilitação, apoio diagnóstico e farmacêutico. Atuaremos em sintonia com o Governo Federal, buscando articular essas políticas de prevenção, diagnóstico e atenção com os municípios da Região Metropolitana e o Governo Estadual.

 

Marianne Pinotti (vice de Chalita – PMDB)

Qual será a principal política de combate à aids desenvolvida na Prefeitura?

A prevenção, no caso da infecção pelo vírus HIV, é o melhor caminho. Sabemos que hoje a doença saiu de um grupo restrito, anteriormente de risco ligado a homossexuais e dependentes químicos, e se transformou em uma doença que cresce entre mulheres pobres e também entre os idosos. Acreditamos que a educação para a saúde e prática do sexo protegido é o caminho para o controle. Para isso a estratégia tem de buscar agregar a sociedade civil, por meio de entidades que militem nessa questão.


Paulinho da Força (PDT)

Qual será sua principal política de combate à aids a ser desenvolvida na prefeitura?

Em meu Programa MAIS SAÚDE: O SUS QUE FUNCIONA, pretendo tratar todas as questões de Saúde respeitando os princípios do SUS, ou seja, Universalidade, Integralidade e Equidade. Com relação aos doentes portadores do vírus da aids é necessário que conjuguemos ações preventivas com as curativas. No campo da prevenção, ainda é a educação em saúde com distribuição gratuita de camisinhas e de seringas descartáveis aos dependente de drogas injetáveis. No que tange as ações curativas, é necessário Centros de Referências, no mínimo um por Subprefeitura, e leitos hospitalares suficientes para a demanda, que se não tiver nos hospitais próprios deverão ser contratados da Rede Privada.


Soninha (PPS)

Qual será sua principal política de combate à aids a ser desenvolvida na prefeitura?

Vou retomar as políticas de prevenção, uma vez que elas foram deixadas de lado (para não dizer abandonadas) nos últimos anos e o contágio vem aumentando. Isso significa investir em campanhas publicitárias inteligentes, incentivando o sexo seguro e promovendo a autoestima, autoconfiança, responsabilidade; em atividades educacionais, culturais, comunitárias que promovam esses valores; em atendimento e aconselhamento psicológico nas Unidades de Saúde; na criação, em parceria com o governo do estado, de mais Casas do Adolescente. Também vou assegurar aporte de recursos para casas que abrigam pessoas com aids.

 

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