Serra rebate centrais sindicais e diz que campanha criou ‘profissionais da mentira’
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Serra rebate centrais sindicais e diz que campanha criou ‘profissionais da mentira’

Camila Tuchlinski

14 Julho 2010 | 17h36

André Mascarenhas e Julia Duailibi

Em discurso para sindicalistas da União Geral dos Trabalhadores (UGT), o presidenciável do PSDB José Serra procurou responder às críticas de centrais sindicais ligadas ao governo, que acusaram o tucano de ter mentido sobre sua participação na elaboração de leis trabalhistas.

“Nessa campanha se criou uma nova profissão, os profissionais da mentira”, disse após explicar sua contribuição na criação do seguro-desemprego e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). “É mentira, mentira, mentira, pra gente ficar desmentido a mentira”, continuou. “Mas o importante não é tanto a discussão com os profissionais da mentira, mas saber que às vezes a gente tira suco de pedra. Sem cobrar um centavo de imposto a mais, nós instituímos direitos dos trabalhadores muito amplos”, acrescentou, numa referência às aplicações do FAT.

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O presidenciável tucano, durante evento da UGT em São Paulo

No último domingo, cinco centrais sindicais – Força, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Nova Central – divulgaram manifesto no site do PT acusando Serra de “impostura e golpe contra os trabalhadores”. Os sindicalistas alegam que o tucano mentiu ao dizer que foi o responsável pela criação do FAT e do seguro-desemprego.

Questionado após o discurso sobre quem seriam os “profissionais da mentira”, Serra afirmou: “Estão em praça pública. É só olhar e ver as mentiras. Essa do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Outro dia inventaram que eu ia acabar com concurso. Fiz 110 mil em São Paulo.”

FAT e seguro-desemprego

Serra esclareceu que sua participação na consolidação dos dispositivos incluiu o uso do PIS-Pasep para o financiamento do seguro-desemprego e a ampliação das aplicações do FAT. Ele explicou que o seguro-desemprego já estava na Constituição desde 1946 e lembrou que, embora tenha sido incluído no Plano Cruzado, de 1986, o dispositivo não “chegou a atender 16% dos desempregados de maneira satisfatória” por falta de fonte de recursos. Por isso, na Constituinte, procurou vinculá-lo ao PIS-Pasep.

“Fiz uma emenda em setembro de 1987 que foi acolhida praticamente na íntegra e que vinculou o PIS-Pasep ao seguro-desemprego e, além do mais, ao financiamento de investimentos do BNDES”, afirmou. “Isso foi aprovado. Isso é a base do que existe. Até o Almir Passanoto, que era ministro, mandou uma carta pro Ulysses (Guimarães) dizendo como era importante ter uma fonte de financiamento independente e estável para o seguro desemprego.”

Serra também atribuiu ao regimento do Congresso a acusação das centrais de que seria o ex-deputado Jorge Uequed, e não ele, o responsável pela criação do FAT. Segundo o tucano, dos três projetos apresentados para a regulamentação do FAT – que já constava na Constituição, só que com outro nome – foi o dele o que deu a configuração final para o fundo. “E foi feito como é no Congresso. Um relator que faz a síntese dos projetos, e quem apresenta primeiro carrega, mesmo que não tenha nada a ver, carrega sempre”, disse.

“Depois eu mesmo apresentei um projeto de Lei, que virou lei, permitindo que o FAT tivesse outras aplicações, inclusive no treinamento e qualificação.”

CUT

O principal alvo de Serra foi a CUT, que tem forte relação com o governo federal e que possui quadros ligados ao PT. “A CUT era uma entidade sindical antipelega, até o PT chegar ao governo. Depois que o PT chegou ao governo, virou a entidade superpelega”, declarou o tucano.

O tucano também atacou o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, que endossaria mentiras ditas ao longo da campanha. “Outro dia (vi) o Dutra, homem sério, trabalhamos juntos no Senado, também endossando mentira”, declarou.

Além de Serra, participou do encontro com os sindicalistas da UGT a candidata à Presidência pelo PV, Marina Silva. A candidata do PT, Dilma Rousseff, também foi convidada, mas informou que não poderia comparecer. O deputado federal Aldo Rebello (PCdoB-SP) representou a candidata no evento.

20 milhões de empregos

No discurso para cerca de 200 sindicalistas, Serra tentou mostrar bom humor e proximidade com os trabalhadores. O tucano elogiou o documento com propostas para o próximo governo apresentado pela UGT. Segundo o presidenciável, o texto intitulado “O Brasil que nós queremos” é “avançado porque leva em conta não apenas os trabalhadores, mas o conjunto da sociedade”.

O candidato afirmou que seriam necessários mais 20 milhões de empregos no País, até 2020, “para ter uma taxa de desemprego mais decente, de 4,5%, 5%”. “Para isso, vamos ter que colocar o Brasil num rumo de um País de desenvolvimento seguro e sustentável”, disse. Ele não quis especificar, no entanto, quantos empregos pretende criar, se eleito. “Não vou apresentar estimativa, não seria responsável.”

Política industrial

Disse mais uma vez que a política macroeconômica é “inadequada” e criticou a “crescente desnacionalização da produção”. “Não é no sentido de empresas estrangeiras, mas de importar cada vez mais produtos intermediários. Estamos exportando celulose para a China, que fabrica papel e manda de volta”, disse. O tema da celulose da desindustrialização tem sido um alvo recorrente dos discursos de Serra.

Segundo o candidato, ao contrário do que afirma o governo, não há política industrial no País. “O Brasil está caminhando para o passado”, disse. Serra procurou mobilizar os sindicalistas. “Isso é fundamental para os sindicatos levarem em conta em suas mobilizações”, afirmou sobre a política industrial. “A fotografia do momento é boa, mas o filme pode não ser se não se resolver os problemas”, afirmou.

Educação

O tucano também usou seu discurso para fazer promessas sobre educação, com ênfase no ensino técnico. Ele prometeu o treinamento de 5 milhões de jovens e desempregados no Brasil em quatro anos. “Esse trabalho incremental e adicional me parece fundamental”, disse.

“Nós temos que massificar (o ensino técnico). Não tem em âmbito nacional. O governo federal tem que entrar, pelo seu tamanho. Temos que fazer disso uma política nacional. E usar para isso o Fundo de Amparo ao Trabalhador. O fundo foi criado também para oferecer qualificação”, disse.

Segundo Serra, o problema da educação no Brasil está na sala de aula, na falta de estrutura das escolas públicas e despreparo dos professores. Ele aproveitou para critica o sindicato dos professores de São Paulo, filiado a CUT, que entrou em greve no fim de seu governo. “Nós demos material, guia para os professores. E o sindicato filiado a CUT o queimou em praça pública.”

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