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Cachoeira teria articulado para afastar Pagot de órgão do Ministério dos Transportes

Redação

20 de abril de 2012 | 17h03

Estadão.com.br

Diálogos captados pela Polícia Federal apontam que o grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira atuou nos negócios do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Segundo os áudio, o grupo teria articulado um esquema para afastar o diretor-geral do Dnit Luiz Antonio Pagot. Em entrevista a Revista Época, o ex-diretor afirma que afastado do posto por contrariar interesses da construtora Delta e do bicheiro Carlinhos Cachoeira, investigados pela Operação Monte Carlo.

Segundo as investigações da PF, Cachoeira era associado ao diretor da Delta para Centro-Oeste, Cláudio Abreu, e indicava pessoas para atuar em nome do grupo nos Estados. Nos áudio captados pela PF, Cachoeira teria dito a Abreu que plantou informações sobre Pagot na imprensa.

Pagot foi um dos principais nomes no Ministério dos Transportes quando o ministro era Alfredo Nascimento. Em julho de 2011, a revista Veja veiculou denúncias de que haveria corrupção e superfaturamento de contratos no Dnit e no Ministério dos Transportes. Na ocasião, Pagot disse que não poderia responder pela pasta e somente pelo Dnit.

Pagot contou à revista que o motivo de ter sido alvo do grupo é por ter dificultado negócios entre a Delta e Dnit, prejudicando as licitações que a empresa participava, quando ele estava à frente do órgão.

Em um dos processos, sem o consentimento do Dnit, a Delta teria subcontratado uma empresa para as obras de recuperação de um trecho de 18 quilômetros da BR-116, em Fortaleza. Em resposta, a Delta disse em nota que  “um inquérito do Ministério Público Federal averiguará todas essas questões derivadas da chamada Operação Monte Carlo” e que “[a empresa] falará sobre todos os assuntos nos foros judicial e parlamentar. A empresa repudia, desde já, conclusões parciais e precipitadas oriundas de análises superficiais de informações coletadas.”

O Dnit é visado por ter um orçamento anual da ordem de R$ 10 bilhões voltado para construção e reformas de estradas e ferrovias brasileiras. Como o montante é disputado por grandes empreiteiras, técnicos, advogados, lobistas e políticos; brigas judiciais, golpes baixos e acusações de favorecimento acontecem com uma certa frequência.

 

 

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