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BR – ‘É diferente votar fora do Brasil’, dizem brasileiros ‘portenhos’

Bruno Siffredi

31 de outubro de 2010 | 14h48

Ariel Palacios, correspondente de Buenos Aires

“É diferente votar fora do Brasil”, afirma Carlos, um paulista que reside na capital argentina há três anos como professor de português, ao sair na manhã deste domingo, 31, da votação na Embaixada do Brasil no bairro de Retiro. “A gente está fora, mas continua participando da política brasileira por intermédio desta ferramenta, o voto”, explica. “E, além disso, é uma forma da gente manter o vínculo com o país”, ressalta.

“É uma forma de ver as pessoas da comunidade, que não é grande que nem em Miami ou Boston”, afirma ao seu lado Márcia, uma gaúcha que já morou nos EUA nos anos 90 e ensina ioga.

Namorados, Carlos e Márcia possuem vários pontos em comum. “Nos conhecemos na aula de tango no início do ano”, explica Márcia, que mora na cidade há dois anos. “Adoramos Buenos Aires. Adoramos os churrascos nas casas dos amigos argentinos”, destaca ele.

Mas, em matéria política, o casal possui profundas divergências. “Acho que tivemos as discussões políticas mais furiosas entre brasileiros na Argentina”, afirma Carlos, um tucano. A petista Márcia completa: “no primeiro turno quase terminamos… por política!”.

“Pois é, não falamos mais sobre isso… nem sobre política argentina”, explica Carlos. “Nem pensar”, afirma Márcia. “As brigas seriam muito piores!”.

Às 9h, Danielle Motta – e uma dos 3.877 brasileiros cadastrados para votar na capital argentina no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras – disse ao Estado ao sair apressada da Embaixada que votou cedo porque precisava ver seu cunhado no hospital, onde estava internado. Há 11 anos residente em Buenos Aires, esta foi a segunda vez que votava em uma eleição presidencial brasileira na capital argentina.

“É diferente votar fora de teu país, mas é mais simples”, afirmou com sorriso maroto a vendedora e estudante de turismo Lucimar Rezende, de 32 anos. “É mais simples porque a gente só precisa votar para presidente…”, explicou a brasileira, que reside há 10 anos em Buenos Aires, enquanto atravessava as esquinas da ruas Cerrito e a Juncal.

Ali, nessa esquina, estava Tiago Ribeiro da Silva, paulista de 26 anos. Há um ano residente na capital argentina, Tiago – que distribuía folhetos da Igreja Internacional da Graças de Deus – lamentou que não podia votar em Buenos Aires, já que não estava ainda cadastrado no consulado brasileiro. “Me sinto meio inútil de estar a poucos metros da embaixada e não poder cumprir com meu dever cívico. Na próxima eleição votarei, sem dúvida! Nesta eleição teria votado na Dilma”.

A seu lado, outra integrante da Igreja, a argentina Mariela Cano, portenha de 20 anos, declarou-se admiradora do Brasil e destacou a “impressionante cobertura da imprensa argentina sobre as eleições brasileiras”.

A poucos metros da embaixada, o mineiro Otávio Ferreira, de 38 anos – há três em Buenos Aires – disse que no primeiro turno das eleições, há quase mês, chegou atrasado. “As portas estavam fechadas há cinco minutos”, explicou, sentado em um banco de praça.

No entanto, apesar de não poder votar, não ficou frustrado. “Eu acho que demorei a propósito mesmo… não tinha vontade de votar nos candidatos. Sou petista desde a primeira eleição direta, em 1989, do Lula contra o Fernando Collor de Mello. Mas, estou decepcionado com o PT desde que está no Planalto”, disse.

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