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Iraniana quer que Dilma ‘faça ainda mais’ pelas mulheres islâmicas

Jennifer Gonzales

03 de maio de 2011 | 12h10

 Gabriel Manzano, de O Estado de S.Paulo

A militante iraniana Mina Ahadi, que coordenou a campanha mundial em defesa de sua compatriota Sakineh Ashtiani, disse ontem, em São Paulo, ter achado “muito bom” a nova presidente brasileira, Dilma Rousseff, chamar de “uma barbárie” o ritual de apedrejamento em seu país. “Se pudesse, eu gostaria de encontrar a presidente, na minha ida a Brasília. Sabemos as duas que algo nos aproxima, pois ela combateu, apanhou, esteve presa e lutou contra o arbítrio”, afirmou durante o 2º Forum Democracia e Liberdade, na Faap, região central de São Paulo. O evento marca o Dia Mundial da Liberdade e Imprensa.

Convidada ilustre do encontro, Mina Ahadi tem na agenda um encontro, em Brasília, com a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário. “Se tiver chance, vou pedir à presidente que faça ainda mais, tudo o que for possivel, para ajudar nossa luta pelo direito das mulheres no Irã”, acrescentou.

Mina Ahadi ficou sabendo já no aeroporto de Cumbica, ao chegar a São Paulo, sobre a morte de Osama bin Laden. “Então mudei o meu discurso para hoje”, avisou. Num tom duro, indignado, prosseguiu: “Decidi fazer uma acusação contra um movimento que é inimigo das mulheres e lembrar que bin Laden nao é o único problema. Temos regimes islâmicos que usam a religião para controlar o povo no Afeganistão, Paquistão, Nigéria, Arábia Saudita, Síria, muitos outros lugares. Quero fazer aqui uma acusação contra todos esses regimes. Acuso em nome de mulheres assassinadas porque não queriam usar um pano na cabeça.”

Em sua fala — depois de uma introdução feita por Robert Civita, conselheiro do Instituto Millenium, que organizou o fórum –, a militante iraniana, hoje exilada na Alemanha, também se mostrou a favor do presidente francês Nicolas Sarkozy, cujo governo proibiu o uso do véu na França. “Religião é um assunto particular e assim deve permanecer”, observou, lembrando que, “da mesma forma, quem não quiser religião deve poder viver dessa forma”. “Por que não exigem véu dos homens? Nem mesmo uns óculos escuros?”, perguntou. Do debate participou o diretor da Human Rights Foundation, Javier el-Hage, que abordou os direitos constitucionais e sua capacidade de defender a democracia.

Na abertura, Robert Civita manifestou sua “esperança e convicção” de que “os tiranos vão perder essa guerra” — a de controlar liberdades e a imprensa. Advertiu que o público precisa de “informação com curadoria” e deixou uma aposta: “A imprensa não vai morrer. Ela está mudando para que possa se conservar”.

O Fórum Democracia e Liberdade terá, ao longo do dia, outros quatro painéis, um dos quais sobre capitalismo de Estado e democracia e outro sobre liberdade de imprensa.