Balanço mostra que Lula esqueceu da reforma agrária no ano de eleição de Dilma
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Balanço mostra que Lula esqueceu da reforma agrária no ano de eleição de Dilma

Redação

13 Setembro 2011 | 18h01

Roldão Arruda, especial para o Estadão.com.br

A reforma agrária foi posta de lado em 2010, último ano do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e também da eleição presidencial para escolha de seu sucessor. De acordo com um novo estudo sobre o tema, o número de famílias assentadas em 2010 foi o pior dos últimos 25 anos.


Denominado O Declínio da Reforma Agrária, o estudo é assinado pelo geógrafo e pesquisador Rafael de Oliveira dos Santos, do Núcleo de Estudos da Reforma Agrária, vinculado à Unesp. Utilizando informações do Banco de Dados da Luta pela Terra (Dataluta), o pesquisador aponta que o resultado mais expressivo dos dois mandatos do governo Lula na área da reforma foi obtido em 2005.

Naquele ano, quando sua popularidade decaía, em decorrência do escândalo do mensalão, o presidente petista investiu pesado na reforma. Obteve 775 novas áreas, autorizou 885 projetos de assentamento e distribuiu lotes para 89.738 famílias.

Passados quatro anos, porém, os números despencaram: foram obtidas 41 novas áreas, autorizados 206 projetos e instaladas 3.904 famílias. Com esses resultados, Lula ficou atrás até de Fernando Collor de Mello.

Até agora, o pior resultado da série de números do Dataluta, iniciada em 1985, havia sido registrado em 1990 – primeiro ano do governo Collor. Naquele ano foram assentadas 6.503 famílias – um número muito baixo para o que se observou ao longo das duas últimas décadas, mas quase duas vezes maior do que o obtido em 2010.

Na opinião de alguns especialistas, o declínio da reforma no segundo mandato de Lula estaria ligado ao Bolsa Família e ao crescimento da oferta de emprego nos centros urbanos. Os dois fatores teriam contribuído para desmobilizar a base dos movimentos de sem-terra e reduzir sua capacidade de pressionar o governo.

Para Santos, a questão não pode ser simplificada dessa maneira. “A questão não se resume ao aumento da oferta de emprego e diminuição das famílias interessadas na reforma agrária”, disse ao Estadão.com.br. “Neste aspecto o argumento principal é a renda familiar e qualidade de vida. Enquanto a renda familiar de uma família rural for menor que a de uma família na cidade, a tendência é que as pessoas prefiram a cidade e não o campo. Portanto, as políticas de reforma agrária têm que garantir renda equivalente ou melhor, e qualidade de vida no campo.”

Mas o f ator decisivo, na avaliação dele é político: “A nova conjuntura da reforma está fundamentada principalmente na falta de empenho do Estado no enfrentamento dos problemas fundiários”, assinalou. “O governo não enfrenta a questão agrária de maneira incisiva, de modo a desconcentrar a estrutura fundiária e aumentar a eficiência das políticas para o desenvolvimento das famílias camponesas.”

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