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As resistências que a política externa enfrenta no Brasil

Jennifer Gonzales

27 de março de 2010 | 06h00

Por Wilson Tosta

O secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Antônio Patriota, reconheceu que a política externa brasileira no campo da paz e da segurança enfrenta resistências no próprio Brasil.

“Há na opinião pública um certo sentimento de ‘por que a gente quer ser membro permanente (do Conselho de Segurança da ONU), isso aí vai criar mais dor de cabeça que trazer vantagens'”, afirmou o diplomata, no seminário Segurança Internacional: perspectivas brasileiras, o cenário global”, na Fundação Getúlio Vargas, no Rio, na manhã da quinta-feira, 25 de março.

As declarações ocorreram dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter sido criticado porque, em viagem ao Oriente Médio, ofereceu a mediação brasileira para conflito que envolve a região desde os anos 40 do século passado. O diplomata, porém, não tocou especificamente no episódio.

Patriota lembrou que o mesmo sentimento negativo não se dá, por exemplo, na área comercial. “O fato de o Brasil deter apenas 1,2% do comércio internacional não leva que a opinião pública de modo geral questione a importância de termos uma atitude de liderança ou de protagonismo por exemplo na Organização Mundial do Comércio ou no G-20”.

Ele disse que a “boa notícia” é que opinião pública no Brasil “evolui” e deu dois exemplos. O primeiro: enquanto a sociedade brasileira e o Congresso Nacional discutiram de maneira acalorada, há alguns anos, a decisão brasileira de assumir o comando das tropas da ONU no Haiti, recentemente o envio de mais 900 militares ao país não gerou controvérsia.

Outro: conservacionistas e desenvolvimentistas brasileiros não se envolveram em polêmica em relação à meta brasileira de redução de emissões, entre 36% e 39%, apresentada na Conferência do Clima em Copenhage.

Para ele, tudo é uma questão de esclarecimento. “Acredito que ,com um esforço de esclarecimento dos objetivos e do que o Brasil pode obter, conquistar e contribuir para a paz internacional numa ação mais visível, de maior liderança, também poderá modificar um pouco essa desconfiança e essas divergências internas que às vezes aparecem na nossa imprensa”, afirmou.