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As alternativas de Dilma, Marina e Aécio a um mês do primeiro turno

Cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira analisa corrida pelo Palácio do Planalto

Redação

04 de setembro de 2014 | 07h00

Marco Antonio Carvalho Teixeira*

Quando se esperava que Marina Silva abrisse vantagem sobre Dilma Rousseff em decorrência do seu desempenho em São Paulo e Rio de Janeiro, Estados em que ela assumiu a primeira posição nas pesquisas, o Ibope revela que a petista também cresceu e se manteve à frente nas intenções de voto para o primeiro turno, ainda que com margem muito estreita. Não é essa a única boa notícia para a candidata do PT: sua rejeição diminuiu cinco pontos; a aprovação ao seu governo oscilou positivamente dentro da margem de erro e na simulação de segundo turno, que na pesquisa Ibope anterior (26 de agosto) dava 11 pontos de vantagem para a candidata do PSB, a diferença foi reduzida para sete.

O que isso sinaliza para as campanhas daqui para frente? Uma primeira observação é que a eleição tende fortemente à polarização entre Dilma e Marina. Aécio Neves perdeu eleitores para a adversária do PSB e deve agora viver um sério dilema: como dificilmente conseguirá tirar votos de Dilma, não lhe resta outra alternativa senão mudar sua estratégia de ação. A questão é como ir para o embate com Marina sem colocar em risco a eleição de governadores, uma vez que os tucanos se aliaram ao PSB em Estados estratégicos do ponto de vista eleitoral, como São Paulo, Paraná e Pernambuco.

A segunda observação é que o fôlego de Marina parece agora ser menor. Ela herdou a campanha de Campos com 9% das intenções de voto (8 de agosto) e quando foi colocada como candidata, no auge da tragédia, apareceu com 29% (26 de agosto). Agora, sete dias depois, seu crescimento foi de 4 pontos. Seria esse seu teto? Será que ela está sentindo o efeito da artilharia de seus adversários?

Todavia, Marina também tem o que comemorar: oscilou positivamente um ponto porcentual em simulação de segundo turno e tem mais ascendência sobre eleitores tucanos do que Dilma num eventual confronto final. Ou seja, ainda mantém uma situação que lhe favorece na disputa.

Apesar de esse ser o retrato atual da campanha presidencial, o fato de estarmos a apenas um mês da eleição faz com que haja pouco espaço para mudanças bruscas no cenário. Assim, a tendência é que Marina evite novas situações que possam escancarar as contradições dos grupos que a apoiam, como ocorreu na questão LGBT, que certamente lhe trouxe algum desgaste. Dilma, por sua vez, vai recuperar o animo de campanha entre seus apoiadores, o que nesse momento é um fator importante. Para Aécio, não resta outra alternativa senão polarizar com Marina, que foi quem de fato desidratou seu eleitorado.

*Marco Antonio Carvalho Teixeira é cientista político e vice coordenador da graduação em administração pública da FGV

 

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