Revisor do mensalão sofre constrangimento ao ir votar em SP
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Revisor do mensalão sofre constrangimento ao ir votar em SP

Lilian Venturini

28 de outubro de 2012 | 13h50

Lílian Cunha, de O Estado de S.Paulo – atualizado às 17h12

O ministro revisor do processo do mensalão, Ricardo Lewandowski, passou por constrangimento na saída do colégio Mário de Andrade, no Brooklin, em São Paulo, onde neste domingo, 28, votou por volta do meio-dia. Enquanto o revisor do processo do mensalão dava entrevista, uma eleitora se aproximou e disse: “Que nojo!”. Em seguida, ela saiu do colégio.

Assim como no primeiro turno, Lewandowski entrou pela porta dos fundos da escola. Mas 20 minutos antes de sua chegada, os repórteres que estavam no local para a cobertura da votação do ministro foram expulsos do local, pela Polícia Militar, por ordem do juiz eleitoral Alexandre David Malfatti, da zona. Ele telefonou aos fiscais que estavam na escola e pediu a retirada da imprensa. Sem dar explicações sobre o motivo da proibição da cobertura, o juiz limitou-se a dizer que se tratava de uma decisão pessoal. Depois de votar, no entanto, Lewandowski falou com os repórteres.

“Sempre atendi os repórteres, em qualquer lugar do Pais onde estou”, afirmou ele, quando perguntado sobre a expulsão da imprensa da zona eleitoral.

Sobre a possível interferência que o processo do mensalão poderia causar às eleições, Lewandowski relativizou a questão. “Eleição é uma coisa, o julgamento, outra coisa. O  povo brasileiro está muito maduro para fazer escolhas conscientes, sobretudo quando termos uma imprensa livre, que pode apresentar todos os ângulos do debate.”

A respeito da repercussão de sua atuação no processo, o ministro disse que “esse é o papel do revisor”. “Existe o relator e o revisor, assim como nos jornais. Não há quem revise os textos? É isso. No Supremo é assim também. É um  papel importante, de apresentar um contraponto. Muita gente foi absolvida, outros pontos foram debatidos, sob ponto de vista diferente. A lei é sábia nesse aspecto. É a segunda opinião. É como quando uma pessoa tem um problema de saúde sério, vai ao médico e depois busca uma segunda opinião, de outro médico.”

O ministro também disse que não vê manifestações hostis quanto ao seu julgamento. “Nunca vi isso. Pelo contrário, só recebo cumprimentos, muitas pessoas querem tirar fotos comigo.”

Quando terminou a entrevista aos repórteres, um mesário se aproximou e disse: “mande um abraço para o Zé Dirceu”,  referindo-se ao ex-ministro da Casa Civil, que foi absolvido por Lewandowski no processo do mensalão, no STF. Um de seus assessores chegou a confundi-lo com um repórter e procurou saber quem era o manifestante, mas o mesário não conversou com ele e voltou para dentro do colégio.

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