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No ‘Roda Viva’, Fernando Haddad afirma que fazer cálculo eleitoral sobre doença de Lula seria ‘no mínimo desprezível’

Bruno Siffredi

31 de outubro de 2011 | 22h01

Bruno Siffredi, do estadão.com.br

O ministro da Educação, Fernando Haddad, participou nesta segunda-feira, 31, do programa Roda Viva, da TV Cultura. Durante a entrevista, o ministro falou sobre os problemas na prova do Enem deste ano e a sua gestão no Ministério da Educação. Apenas no último bloco, em duas perguntas, foi abordada sua pré-candidatura à Prefeitura de São Paulo pelo PT. Ele falou ainda sobre a doença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está se tratando de um câncer, e o impacto disso na eleição de 2012.

Questionado sobre a importância que a ausência de Lula, seu padrinho político, teria para a disputa, Haddad afirmou que não colocou a questão sob essa perspectiva. “O único pensamento que passa pela minha cabeça é torcer pelo pronto restabelecimento do presidente Lula”, disse o ministro, para  quem qualquer “cálculo” sobre a situação de saúde do ex-presidente seria “no mínimo desprezível”.

Sobre as prévias partidárias – que deve disputar contra a ex-prefeita Marta Suplicy -, Haddad ressaltou que os prognósticos que previam brigas internas não se comprovaram e o partido “tem se portado muito bem”. Ele disse ter “a maior honra” por ter participado da gestão de Marta em São Paulo. Ao ser  questionado sobre suas chances de ser o próximo prefeito – de zero a dez -, Haddad desconversou: “É difícil dizer, porque é a primeira eleição que participo desde a eleição para o Centro Acadêmico 11 de Agosto. Se considerar a minha experiência anterior em eleições, é 10.”

Surpresa. Pouco antes do início do programa, foi divulgada a informação de que a  Justiça do Ceará havia decidido pela anulação das 14 perguntas que teriam vazado do pré-teste para o Enem. Haddad considerou positiva a decisão, porque afastou a possibilidade de cancelamento total da prova. “Neste ano, a decisão é muito mais sóbria”, disse o ministro, que no entanto indicou que pretende pedir um recurso para que apenas os alunos da escola que teve acesso às questões tenham que refazer o exame. “No nosso entendimento, o Inep deve encaminhar um recurso porque trata-se de uma situação isolada e que pode ser circunscrita.”

Ao ser questionado sobre os graves problemas da educação no Brasil, o ministro atribuiu parte da responsabilidade a um déficit histórico. “É preciso considerar  que até os anos 1960, metade da população sequer frequentava a escola”, disse Haddad. “E se você considerar a população negra, esse número chega a escandalosos 20%.” Para ele, a ausência no Brasil de movimentos maiores pela educação, como ocorrem no Chile, decorre também do modelo adotado pelo governo brasileiro, que seria de maior inclusão.

Popularidade. O ministro rechaçou a ideia que o Enem seja impopular entre os jovens, apesar das falhas que ocorrem pelo terceiro ano consecutivo. Ele definiu os problemas ocorridos nas provas como “pontuais” e disse acreditar que a maioria dos estudantes tem uma percepção positiva do programa:  “Eu não sinto, sinceramente, que a juventude não compreenda a importância do Enem.”

Participaram da bancada de entrevistadores a editora executiva do jornal O Estado de S. Paulo e coordenadora dos cadernos Aliás, Sabático, TV e Caderno 2, Laura Greenhalgh; a repórter da revista Piauí Clara Becker; o repórter especializado em Educação do jornal Folha de S. Paulo Antônio Gois; o jornalista e diretor do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, Norman Gall; e a editora da revista Nova Escola Gestão Escolar, Paola Gentile.

Acompanhe:

23h37 – Termina o programa Roda Viva, da TV Cultura.

23h35 – O ministro afirma que “tem a maior honra de ter participado da gestão da  prefeita” Marta Suplicy e elogia também o peemedebista Gabriel Chalita. Sobre suas chances de ser o próximo prefeito de São Paulo – de zero a dez -, Haddad desconversa: “É difícil dizer, porque é a primeira eleição que participo desde a eleição para o Centro Acadêmico 11 de Agosto. Se considerar a minha experiência anterior em eleições, é 10.”

23h31 – Questionado sobre as prévias no PT e ausência de Lula da disputa, Haddad afirma que “o único pensamento que passa pela minha cabeça é torcer pelo pronto restabelecimento do presidente Lula”. Para o ministro, qualquer “cálculo” sobre a situação seria “no mínimo desprezível”. Sobre as prévias, Haddad afirma que os prognósticos que previam brigas internas não se comprovaram e o partido “tem se portado muito bem”.

23h21 – Questionado sobre as relações entre o poder público e as escolas de pedagogia, Haddad afirma que não é possível “impor um modelo”  de cima para baixo. “Um dos maiores problemas do Brasil é que não tínhamos sequer uma biblioteca para professores”, lembra o ministro. “O que nós estamos fazer é uma prova nacional de concurso para ingresso em uma carreira de docente.”

23h17 – “Um projeto de educação artista, que inclua música, pode  ajudar até na matemática”, diz Haddad. “A questão não é em amenidades. A questão é o desenvolvimento da personalidade.” O ministro lembra que os jovens de classe média estudam apenas meio período, mas tem oportunidade de participar de atividades esportivas e culturais fora do ambiente escolar.

23h08 – Haddad é questionado sobre os problemas de segurança dos professores. A capacitação seria suficiente para preparar os docentes para problemas de violência enfrentados nas escolas públicas? “O que eu tenho visto de bom, que tem coibido práticas dessa natureza, é a extensão da jornada escolar para um segundo turno, diferente do primeiro”, diz Haddad. Ele defende que, nesse segundo turno, o aluno tenha a possibilidade de realizar atividades ligadas à cultura e ao esporte. “Combinando isso com a abertura da escola para a comunidade, você cria uma situação em que escola perde o caráter municipal, estadual ou federal, e se torna definitivamente pública.”

22h59 – Para o entrevistador, o currículo é um “vespeiro”. O ministro é questionado sobre a ausência de um currículo nacional para a Educação. “As discussões sobre currículos nacionais em países federativos não vai a lugar algum”, responde Haddad. Ele destaca que, em países com as características do Brasil, é melhor estabelecer diretrizes do que um currículo nacional.

22h55 – Questionado sobre o conteúdo do Enem e as críticas a abordagens diferenciadas, ele afirma que os elaboradores da prova deveriam “prestar atenção às críticas”. Para o ministro, porém, é importante abandonar o “decoreba” em favorecimento a interdisciplinaridade.

22h50 – Questionado sobre a visão que os jovens têm do Enem, Haddad afirma discordar da ideia que o sistema que ele introduziu seja impopular. Ele relembra os protestos pela expansão das universidades federais, que levaram à invasões de reitorias contra a iniciativa do governo. “Eu não sinto, sinceramente, que a juventude não compreenda a importância do Enem”, diz o ministro, para quem os problemas do exame são “pontuais”.

22h41 – Questionado sobre a formação dos professores no Brasil, Haddad afirma que é importante “garantir a gratuidade” da formação dos professores. Ele destaca a criação de um piso salarial nacional para professores. “O mais importante é incidirmos sobre os concursos públicos. Os concursos públicos são muito ruins”, admite Haddad, indicando que os mesmos não pedem conhecimentos ligados à atividade do ensino. As licenciaturas “não estão focadas para o exercício do magistério”, acrescenta, indicando que isso precisa ser alterado para dar um foco à formação.

22h38 – “É preciso considerar  que até os anos 1960, metade da população sequer frequentava a escola”, diz Haddad. “E se você considerar a população negra, esse número chega a escandalosos 20%.” Para o ministro, “se você considerar o que se fez na década, houve avanço”, mas considerando os objetivos e “o ponto de partida”, ainda há muito por fazer.

22h35 – “A educação ainda não é um valor social para a maioria da população”, diz Haddad, ao ser questionado sobre a postura da população brasileira em relação aos problemas na área da Educação. “A indignação, mesmo nos países desenvolvidos, dura um curto espaço de tempo”, destaca o ministro. “As pessoas tendem a comparar a educação dos seus filhos com a educação que eles tiveram”, acrescenta.

22h31 – “Na minha opinião, o que ocorreu no Chile é uma crise de um modelo dos anos 80 e 90”, diz o ministro, destacando que lá o ensino público não é gratuito. “A partir de 2004, no Brasil, houve uma inflexão em direção ao acesso”, afirma Haddad, que destaca como o Brasil aumentou o número de estudantes no ensino superior nos últimos anos. “O patamar de saída é muito baixo. Você ainda vai conviver com situações dessa natureza até que essa dívida seja saldada. Você não consegue saldar uma dívida de cem anos em uma década”, afirma Haddad. “Mas as metas estão sendo cumpridas.”

22h28 – Questionado sobre o que fará amanhã sobre a decisão da Justiça do Ceará, o ministro afirma que o Inep deve entrar com um recurso, apesar de considerar a decisão ponderada.

22h24 – “Nos anos de 2000 e 2001 nos atingimos os piores resultados”, lembra Haddad. Depois que a Prova Brasil passou a ser aplicada houve uma melhora no ensino fundamental, afirma o ministro. Ele aponta o Enem como um instrumento com o mesmo papel, para “mudar a abordagem” do ensino médio. “Ao invés de uma pilha de conteúdo, uma interdisciplinaridade maior.”

22h19 – “É a primeira vez que uma instituição de ensino, ou pessoas ligadas a ela, se envolvem em um episódio como esse”, disse o ministro, que destaca a importância da colaboração das instituições de ensino. “Se uma escola não está preocupada com a própria reputação…”, argumenta Haddad, sem completar a frase.

22h15 – Há uma vulnerabilidade intrínseca? “Sim”, diz Haddad. Ele destaca que o problema da gráfica, ocorrido na prova de 2009, não se repetiu. “Não dá para comparar o que aconteceu em 2009 com o que aconteceu em 2010”, diz. “Não sei como o Inep sobreviveu ao exame de 2009.” Nos outros dois anos, segundo Haddad, os problemas foram de natureza diferente. Em 2009, o exame teve que ser refeito em todo o País, como todos os alunos.

22h10 – “O Enem ganhou a dimensão que ganhou por ocasião do lançamento do ProUni”, relembra Haddad. “Nem o MEC podia prever o sucesso do ProUni com a adesão das instituições privadas”, disse o ministro, que afirmou que o número de inscritos “triplicou” após o lançamento do programa. Ele destaca que o pré-teste, de onde saiu o vazamento deste ano, foi adotado para garantir a qualidade do exame.

22h08 – “No ano passado, toda discussão levou menos de dez dias para que tudo ficasse decidido pelo tribunal. No nosso entendimento, o Inep deve encaminhar um recurso porque trata-se de uma situação isolada e que pode ser circunscrita”, disse o ministro, que sugere que o problema seja solucionado “cirurgicamente”.

22h04 – Começa o programa Roda Viva. O ministro Fernando Haddad destaca que a Justiça afastou a possibilidade de  cancelamento de todo o Enem em decisão emitida nesta segunda-feira, 31, no Ceará. Ele lembra que, no ano passado, ocorreu um pedido de anulação de todo o exame e, apenas na segunda instância, a decisão foi revertida. “Neste ano, a decisão é muito mais sóbria. Afasta o risco de cancelamento do Enem”, afirma Haddad. A Justiça pediu a anulação apenas das perguntas que teriam vazado.

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