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Ao citar ‘menino Dado’, Marina repete tática comum nos EUA

Armando Fávaro

06 de agosto de 2010 | 15h53

Pedro Doria

Ao citar o menino Dado no encerramento do debate presidencial da Rede Bandeirantes, a candidata do PV Marina Silva estava repetindo uma tática comum em debates americanos.

A ideia é simples. Em um debate, candidatos precisam ilustrar aquilo que veem como os males da sociedade ou os erros de seus adversários. Citar números, leis ou fatos é um método. Personalizar é outro. Ao contar a história de uma única pessoa para ilustrar um problema, o resultado esperado é gerar empatia imediata do público e, principalmente, esticar o assunto por alguns dias na imprensa.

Jornalistas buscam histórias para contar e histórias com personagens no meio ganham preferência. Marina não citou Dado sem estar preparada. Na TV, só jogou a isca. Imediatamente após, sua equipe publicou no Twitter fotos de Dado e já estava preparada para atender quaisquer repórteres que pedissem detalhes. Se a história render páginas impressas e páginas de web às pencas, tanto melhor. O nome de Marina Silva estará sempre ali no meio. Como Marina o conheceu, como Dado vive, quais suas dificuldades, suas aspirações. Na melhor das hipóteses, segue o raciocínio, além de ditar a pauta na imprensa, liga-se a imagem do candidato à solução de um problema específico com o qual todos se identificam.

É tática. Uma ferramenta do marketing político. Quando dá certo, faz com que a repercussão do pós-debate seja mais positiva para um candidato.

O senador republicano John McCain tentou isso no terceiro debate contra o hoje presidente Barack Obama, em 2008. Em uma de suas falas, citou ‘Joe, the plumber’ – Joe, o encanador – como exemplo de alguém que, embora de classe média baixa, seria profundamente impactado pelo aumento de impostos para ricos que seu adversário pregava. Nos bastidores, sua equipe já alimentava os repórteres com endereço, telefone, vídeos.

Joe virou uma estrela da campanha, convidado a falar em programas na TV, a tomar parte em comícios. No primeiro momento, pareceu um golpe certeiro. O pacato americano que, como toda a classe média, sofreria num governo Obama. Aí descobriu-se que Joe não tinha registro de encanador, não ganhava realmente o que dizia ganhar e que era um conservador radical. De um típico americano revelou-se um militante político.

Do ponto de vista de quem cuida do marketing de um candidato, quando o personagem é uma criança os riscos são bem menores.

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