PR não é lixo para ser varrido’, protesta Alfredo Nascimento em discurso no Senado
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PR não é lixo para ser varrido’, protesta Alfredo Nascimento em discurso no Senado

Jennifer Gonzales

02 de agosto de 2011 | 15h48

Andrea Jubé Vianna e Jair Stangler, do Estadão.com.br

Em pronunciamento de mais de meia hora na tribuna do Senado, o senador Alfredo Nascimento (AM), presidente nacional do PR, afirmou que seu partido “não é lixo para ser varrido da administração pública”. Em tom de indignação, ele enfatizou que o PR possui as mesmas qualidades e defeitos dos demais partidos políticos e saiu em defesa de seus filiados. “Eu não sou lixo, meu partido não é lixo, nossos sete senadores não são lixo”, repetiu.

Sob denúncias de corrupção, o Ministério do Transportes e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) transformaram-se em alvo de profunda devassa do governo federal, que determinou a demissão, até agora, de 27 servidores. Essa iniciativa ganhou o apelido informal de “faxina” do governo federal, que a oposição deseja ver ampliada a outros órgãos.

Nascimento declarou que pediu à Procuradoria Geral da República (PGR) que instaure ampla investigação contra ele, oferecendo a abertura de seus sigilos fiscal, bancário e telefônico. No entanto, provocado pelo líder do PSDB – o senador paranaense Álvaro Dias -, o ex-ministro recusou-se a assinar o requerimento de abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) no Senado para investigar as denúncias contra o Ministério dos Transportes.

Seguindo a estratégia adotada pelo ex-diretor-geral do Dnit Luiz Antonio Pagot, Nascimento tentou dividir responsabilidades com outros partidos, outros ministros e com a própria presidente Dilma Rousseff. Nascimento afirmou que os fatos que provocaram sua demissão – superfaturamento de obras e cobrança de propinas – não ocorreram quando ele estava no cargo, porque ele se afastou em 31 de março para concorrer ao governo do Amazonas em 2010. Em contrapartida, quando ele reassumiu o posto no início deste ano, Nascimento afirma que verificou uma elevação excessiva nos valores dos contratos e, em seguida, teria informado Dilma do ocorrido.

Ainda segundo o ex-ministro, ao verificar a “disparada dos gastos” no ministério, ele teria levado a informação à ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e se comprometido com Dilma em efetivar um corte de R$ 10 bilhões nos gastos de sua pasta. Por fim, Nascimento ressaltou que todas as decisões do Ministério eram avalizadas pelo comitê gestor do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), formado pelos representantes dos ministérios dos Transportes, Planejamento e Casa Civil. “Não fui convocado para resolver distorções que não criei, nem para desfazer acordos dos quais não participei”, defendeu-se.

Nomeação

Nascimento afirmou, ainda, que as nomeações na pasta dos Transportes não foram decididas individualmente por ele. O ex-ministro afirmou que as indicações partidárias para preenchimento de cargos no governo são “uma prática usual no País” e que ele chegou a nomear pessoas indicadas por outros partidos. Ele ressaltou, no entanto, que todas as nomeações têm o aval da Casa Civil e da presidente da República.

Em tom indignado, Nascimento defendeu seu filho, que também foi alvo de denúncias de que a incorporadora de imóveis da qual foi sócio prestou serviços a diversos órgãos públicos, e cujo patrimônio cresceu de R$ 60 mil a R$ 54 milhões. “Meu filho não é ladrão”, protestou o senador, afirmando que ele construiu seu patrimônio com esforço próprio e que provaria a inocência dele com documentos da Receita Federal e balanços contábeis de sua empresa.

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Veja como foi a sessão:

15h58 – “Venho aqui com a consciência tranquila”, diz, ao iniciar seu discurso.

15h59 – “Nos mais de seis anos em que fui ministro, jamais houve um momento em que minha honra e minha lisura tenham sido questionadas. Em momento algum pedi ou determinei ação de que pudesse me envergonhar.”

16h01 – Nascimento diz ter saído do governo porque não teve o apoio prometido pela presidente Dilma.

16h05 – Diz que quando assumiu o Ministério dos Transportes, a pasta não tinha credibilidade e que quando assumiu o cargo, promoveu a retomada dos investimentos.

16h06 – O ex-ministro diz que no período eleitoral viu brotar “calúnias de origem não identificadas”, que não mereceram a atenção da mídia nacional. Segundo ele, as mesmas denúncias que agora foram feitas.

16h08 – Alfredo Nascimento diz sentir ‘profundo pesar’ ao ver o nome de seu filho envolvido nas denúncias. Explica o caso. Segundo ele, o crescimento da empresa de seu filho, Forma, que saltou de um capital inicial de R$ 50 mil para mais de R$ 50 milhões no ano seguinte. Segundo ele, esses recursos foram adquiridos junto a terceiros. De acordo com ele, seria preciso calcular a diferença entre ativos e passivos da empresa do filho. Diz Nascimento que a empresa foi vendida por R$ 2 milhões, real preço da empresa, valor dividido entre ele e seus sócios.

16h13 – Nascimento diz que ataques contra seu filho partiram de Ronaldo Tiradentes, empresário de comunicação e adversário político do ex-ministro. Ele diz que Tiradentes induziu o jornal O Globo em erro ao fazer a denúncia contra seu filho.

16h16 – “O ministério que deixei em 2010 é diferente do que assumi”. 

16h20 – Nascimento lembra reunião sobre o PAC em 24 de junho, onde, segundo a revista Veja, a presidente afirmou que o Ministério precisava de babá. Criticou o fato de a revista não ter sido desmentida pela presidente.

16h26 – Nascimento diz que todas as medidas tomadas por ele, como a suspensão de licitações e os afastamentos de auxiliares foram combinadas com a presidente. Segundo ele, sempre tomou todas as medidas para combater irregularidades.

16h28 – “Jamais deixei de determinar investigações”, afirma. Segundo ele, a única denúncia que recebeu em todos os anos que foi ministro foi sobre a obra na única BR 340, em Minas Gerais, e que encaminhou o pedido do deputado Julio Delgado (PSB-MG) para averiguar o que acontecia.

16h30 – “O Partido da República faz parte do processo de mudança conduzido pelo ex-presidente Lula e agora continuado pela presidente Dilma. Fomos o primeiro partido a apoiar a presidente Dilma. Dilma era a pessoa que reunia e reúne as qualidades necessárias para dar continuidade a esse projeto”, afirma. Nascimento diz que a indicação de nomes pelos partidos é uma prática usual em nosso País e que a aprovação dos nomes exige a aceitação desses nomes pela Presidência. “Em momento algum determinei a prática de atos lesivos aos cofres públicos ou agi em nome de interesses partidários”, acrescenta.

16h34 – “Muito foi dito sobre o trânsito do deputado Valdemar da Costa Neto. Nunca vedei o acesso dele ou de qualquer outro parlamentar que tenha me procurado. Meu gabinete nunca se fechou sequer a qualquer parlamentar de meu partido ou de outro partido, mesmo da oposição”, diz.

16h36 – “Volto a negar veementemente as acusações que foram lançadas contra mim. Fui julgado e condenado sem que pudesse me defender. Minha trajetória de 30 anos como gestor público não foi levada em consideração”, lamenta. Nascimento relata o pedido feito por ele mesmo à Procuradoria Geral da República para que seu caso fosse investigado.

16h39 – “O Partido da República não é lixo para ser varrido da administração pública. Temos alguns dos defeitos e virtudes de todos os partidos desse País”, diz. “Somos um grupo de sete senadores e 40 deputados que participamos com lealdade. Acreditamos no governo da presidenta Dilma”, emenda. “Eu não sou lixo, meu partido não é lixo, nós somos homens honrados.”

16h44 – Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) faz aparte e diz que demissões ocorridas no Ministério dos Transportes são um reconhecimento de que houve irregularidades na pasta.

16h46 – Álvaro Dias pede que Nascimento assine a criação de CPI nos Transportes.

16h47 – “Por que a presidente demitiu vossa Excelência deve fazer a ela. Eu não vi nenhuma prova. Ela não me demitiu. Eu pedi demissão por entender que não tinha apoio”, defende. Sobre a CPI, Nascimento diz que “a minha investigação é contra mim”. Álvaro Dias afirma que a CPI também irá investigá-lo. “A sua apuração é melhor que a do Ministério Público?”. Álvaro Dias responde: “A investigação do MP é jurídica…” “A sua é uma investigação política”, completa Nascimento. “Eu era do governo Dilma”, é uma investigação política.

16h51 – Magno Malta (PR-ES) defende o colega em seu aparte. “Se a situação das estradas é ruim agora, imagina antes de Lula”, diz, defendendo a gestão de Nascimento no Ministério dos Transportes.

16h55 – “Não quero compactuar com execramento público de inocentes”, diz Magno Malta.

16h59 – Senador Demóstenes Torres (DEM-GO) retoma frases importantes do discurso de Nascimento: que não teve o apoio esperado da presidente Dilma, que tinha bom relacionamento com Dilma, que houve crescimento das dotações orçamentárias com o ministro Paulo Passos em 2010, que determinou pente fino no Ministério em fevereiro deste ano e que em março reclamou a ministra Miriam Belchior e resolveram rever projetos. Volta à questão da reunião de 24 de junho à qual o então ministro Alfredo Nascimento não esteve presente e questiona: “Quem vazou o conteúdo dessa reunião?”

17h01 – “Essas acusações (contra Nascimento) vieram de dentro do Palácio do Planalto”, afirma Demóstenes. O senador do DEM diz que a ação foi patrocinada pela própria presidente.

17h03 – “Essa afirmação é sua”, afirma Nascimento. Diz que nenhum ministro setorial tem poder para decidir o que entra e o que sai do PAC.

17h07 – Nascimento diz que tentava corrigir distorções do PAC e sugere a Dilma que tome para si essa tarefa.

17h12 – Senador Blairo Maggi (PR-MT) diz que a crise dos Transportes manchou a imagem do PR, que passou a ser visto como ‘o lixo da política’ e defendeu que, finda a apuração, a presidente venha a público condenar quem tem que ser condenado e absolver quem tem que ser absolvido. “Se a presidente Dilma quiser continuar com o ministro Passos, que continue. Mas ele não é do PR”, conclui Maggi.

17h22 – Nascimento diz que decisão sobre posicionamento do PR sobre o posicionamento em relação ao governo Dilma será tomado em conjunto com outros senadores e sem revanchismo. “Minha posição é a mesma do senador Blairo Maggi. Eu quero um cargo no governo e quero participar desse governo”, acrescenta.

17h27 – Mário Couto (PSDB-PA) diz não ter nada contra o ministro “por enquanto” e lamenta que Luiz Antonio Pagot, afilhado de Maggi e ex-diretor do Dnit, pivô da crise, tenha sido aprovado para a função. Aos brados, reclama que durante quatro anos denunciou as irregularidades e ninguém lhe deu ouvido, que ninguém concordou com sua proposta de fazer uma CPI para apurar as denúncias do órgão.

17h33 – “Este homem (Pagot) devia estar na cadeia”, acusa Mário Couto. “Tenho documentos que comprovam a desonestidade desse homem.

17h35 – Alfredo Nascimento se confunde e “mata” o ex-ministro Luiz Gushiken. Segundo Nascimento, Gushiken sofreu acusações e “só foi inocentado após sua morte”. 

18h00 – Vicentinho Alves (PR-TO) defende que o PR deixe a base do governo e que o partido entregue os cargos. “O PR deve andar pelas próprias pernas”, declara.

18h07 – Aécio Neves (PSDB-MG) volta a propor que Alfredo Nascimento assine o pedido de CPI nos Transportes. “Mais uma assinatura nesse instante permite a instalação da CPI”, diz.

 

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