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Após faxina nos Transportes, PR deixa a base aliada do governo

Jennifer Gonzales

16 de agosto de 2011 | 19h15

Andrea Jubé Vianna, da Agência Estado, e Jair Stangler, do Estadão.com.br

Depois de um embate com a bancada de senadores do partido, o presidente nacional do PR, senador Alfredo Nascimento (AM), anunciou da tribuna no início da noite desta terça-feira, 16, “declaração de independência” do partido da base de sustentação do governo no Congresso.

Segundo Nascimento, que deixou o comando do Ministério dos Transportes após uma série de denúncias de corrpção, o partido adota a partir de agora uma posição de independência em relação ao governo e deixa à disposição da presidente Dilma Rousseff todos os seus cargos no governo. “Não é aceitável que sejamos tratados como aliados de pouca categoria, fisiológicos e oportunistas”, declarou Nascimento.

O senador afirmou que as denúncias contra políticos de seu partido no Ministério dos Transportes devem ser investigadas, mas afirmou, por outro lado, que os acusados devem ter amplas condições de defesa.

“Vossa Excelência está abrindo mão das benesses do governo”, aplaudiu o senador José Agripino (DEM-RN). “Essa atitude é uma atitude democrática”, completou.

Atual ministro é da cota da presidente

Segundo Nascimento, o cargo de ministro dos Transportes, ocupado por Paulo Sérgio Passos, filiado ao PR, é da cota da presidente Dilma Rousseff.

“Paulo Sérgio Passos é um técnico que merece nosso respeito”, disse Nascimento. Mas avisou que, embora filiado ao PR, o partido não o reconhece como “legítimo representante” no governo. O ex-ministro frisou que a nomeação de seu sucessor “reflete a decisão pessoal da presidente da República”.

O senador Blairo Maggi (PR-MT) e outros parlamentares chegaram a defender, publicamente, que Passos se desfiliasse do PR para continuar no cargo. “Senão, nosso discurso (de entregar os cargos) fica atravessado”, argumentou Maggi. Mas Nascimento atribuiu à cota presidencial a permanência de Passos no cargo e no partido.

Entre outros cargos, o PR ainda controla a diretoria de Engenharia de Furnas, ocupada por Mário Márcio Rogar, indicado pelo partido. Além disso, o irmão do líder do PR no Senado, Magno Malta – Maurício Malta – é assessor parlamentar no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). O senador Clésio Andrade (PR-MG) conseguiu preservar no cargo o diretor da Superintendência do DNIT em Minas Gerais, Sebastião Donizete.

Embate no Senado

Durante a tarde, senadores do PR tentaram evitar até o último instante o pronunciamento de Nascimento, como Magno Malta e Clésio Andrade, que resistiam ao rompimento com o governo. Depois que o líder do partido na Câmara, Lincoln Portela (MG), anunciou que o partido deixaria a base, o líder do PR no Senado, Magno Malta (ES), ainda pressionava para que o ex-ministro adiasse o anúncio. Malta confrontou Nascimento e desabafou com os jornalistas: “Eu não sou criança para anunciar outra coisa agora, eu sou homem de uma palavra só, ninguém manda em mim”. Na última semana, Malta anunciara a saída da bancada do bloco governista no Senado, liderado pelo PT.

Na prática, são 41 deputados e sete senadores que deixam de votar, automaticamente, alinhados com o governo. Além disso, o PR deixa o “Conselho Político”, formado por líderes da base aliada que se reúnem periodicamente com Dilma no Planalto.

Nascimento afirmou que o PR não fará nenhum “jogo rasteiro de revanchismo”, sugerindo que o partido não endossará comissões parlamentares de inquérito (CPI) contra o governo. Mas avisou que as bancadas votarão de acordo “com as suas consciências”.

De saída, o líder do PR, senador Magno Malta (ES), encaminhou voto favorável a uma emenda da oposição ao PLC 116, sobre TV por assinatura, de interesse do governo.

Enquanto isso, a presidente Dilma Rousseff prossegue a rodada de negociações com os partidos, com objetivo de acalmar a base aliada. Às 19 horas, no Palácio do Planalto, ela se reuniu com os lideres do PSB, PC do B e PDT, além da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti e do vice-presidente, Michel Temer, convocado para ajudá-la nas negociações com os partidos da base rebelados no Congresso Nacional. Na segunda-feira, 15, Dilma havia se reunido com as lideranças do PT e do PMDB.

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