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Alckmin propõe que oposição crie ‘shadow cabinet’ do governo Dilma

Armando Fávaro

06 de maio de 2011 | 07h00

André Mascarenhas, do Estadão.com.br

Inspirado na tradição britânica de formação, com membros da oposição, de um gabinete ministerial alternativo ao oficial, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, propôs nesta quinta-feira, 5, a criação de um ‘shadow cabinet’ para fazer frente ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

Sem especificar qual seria o formato da iniciativa e nem como colocá-la em prática, Alckmin argumentou que é papel do PSDB fazer uma oposição qualificada, “preparada para a alternância de poder”. De acordo com o governador, a ideia poderia ser um desdobramento do processo de reacomodação de forças vivido pelo partido.

“Estou muito otimista que, com a eleição do diretório nacional, agora no fim de maio, nós possamos ter um ‘shadow cabinet’”, disse Alckmin ao deixar o evento de lançamento de livro em homenagem ao ex-governador Mário Covas, morto em 2001.

No parlamentarismo britânico, membros dos partidos de oposição formam um gabinete paralelo ao do governo para que cada área seja monitorada individualmente. Nesse sistema, o líder da oposição designa um parlamentar de sua confiança para “marcar” cada um dos ministérios governistas.

“Nós, que somos parlamentaristas, defendemos que se tenha uma fiscalização por área, por setor, fazendo propostas, não deixando o governo se acomodar, trazendo inovações e criticando quando for necessário. Essa é a lógica da democracia”, explicou Alckmin.

A proposta do governador vem num momento de crise para a oposição. Uma terceira derrota consecutiva para o PT, a sangria causada pela criação de um novo partido pelo prefeito Gilberto Kassab e os sucessivos rachas internos do PSDB tornaram urgente a reinvenção do discurso oposicionista.

Alckmin disse ainda que o objetivo do PSDB, como um dos maiores partidos do País, é ser um partido programático, “com quadros para poder servir ao povo” e “pensar o Brasil”. “Acho que o PSDB tem um papel relevante. É tão patriótico ser governo quanto ser oposição.”