Discussão sobre governo de São Paulo domina debate de candidatos ao Senado
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Discussão sobre governo de São Paulo domina debate de candidatos ao Senado

Armando Fávaro

14 de setembro de 2010 | 22h35

Rodrigo Alvares e André Mascarenhas

Mais do que discutir leis e assuntos específicos do legislativo, o primeiro debate entre os candidatos ao Senado por São Paulo foi dominado pela defesa de projetos de governo característicos dos executivos estadual e federal. Propostas sobre educação, saúde, transportes e segurança, típicas das campanhas ao governo do Estado e à Presidência da República, foram defendidas pelos candidatos do PT, Marta Suplicy, do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira, do PTC, Ciro Moura e do PSOL, Marcelo Henrique.

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Também não faltaram defesas para o governo Lula, com Marta na linha de frente, e para os anos do PSDB no governo de São Paulo, com Aloysio. Foi um embate direto entre os dois, inclusive, que abriu o encontro. O tucano aproveitou uma pergunta de Marta sobre as propostas de Aloysio para o turismo no Estado para alfinetar o governo Lula. “O turismo em São Paulo precisa de infraestrutura aeroportuária, e nisso o governo federal está muito atrasado”, atacou, afirmando que, como senador, cobraria um maior empenho de Brasília no setor.

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Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) e Marta Suplicy (PT) no estúdio da Gazeta

Marta aproveitou uma pergunta de Marcelo Henrique sobre educação para contra-atacar: “Para o Estado de São Paulo, eu proponho que nós façamos mais Ceus. Mas é preciso ter crianças que aprendam na escola, coisa que não está acontecendo”, alfinetou.

A resposta do candidato do PSOL também embutiu um ataque ao governo Lula. “Lula fez campanha dizendo que aumentaria o orçamento da educação. O que aconteceu? Passaram-se sete anos e isso não aconteceu”, disse. “O presidente Lula fez um governo excelente em educação”, rebateu Marta, mais uma vez na função de defensora do governo.

Embora os jornalistas procurassem colocar questões relativas ao legislativo, as respostas eram sempre evasivas. Numa pergunta sobre uma eventual mudança nas leis de segurança pública, Marcelo Henrique apelou para a justiça social. “Devemos buscar a redução da desigualdade social, e para isso precisamos de um Estado que possa gerar renda. Precisamos inverter a ordem nesse assunto. Se você conversar com nossos policiais, vai ver que eles não estão satisfeitos. Defendo a melhora, não mudança na constituição.”

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Ciro Moura (PTC) e Marcelo Henrique (PSOL), ao lado de bancada vazia da Netinho

Presentes e ausente. Participaram do debate os candidatos mais bem colocados na disputa pelas duas vagas ao Senado por São Paulo. Com a desistência de Orestes Quércia (PMDB) de concorrer e devido à internação de Romeu Tuma (PTB), quatro candidatos estariam aptos a participar: Marta Suplicy (PT), Netinho de Paula (PCdoB), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) e Ciro Moura (PTC). Hoje, por meio de sua assessoria, Netinho cancelou sua participação alegando que a saída de Quércia e a não participação de Tuma alterariam a configuração estabelecida inicialmente pelas campanhas. De acordo com as regras aprovadas, a bancada de Netinho ficará vazia.

Ontem, o candidato do PSOL, Marcelo Henrique, conseguiu uma liminar no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e também participará do debate.

 

Veja abaixo os principais momentos do debate:

00h17 – Aloysio encerra o debate: “eu tenho uma longa vida pública. Essa candidatura, representando o Quércia também, é pra mim uma grande obra”, diz. Ele lembra ter lutado contra a ditadura quando jovem, cita seu currículo e afirma querer contribuir para “retomar a moralidade do Senado Federal”.

00h16 – Ciro Moura: “Meus votos de pronto restabelecimento ao senador Tuma e ao doutor Quércia. Eu poderia estar aqui dizendo que vou trazer mais verbas. Tem esse pacto federativo que faz do presidente da República num imperador. Quero discutir esse pacto”.

00h14 – Marta faz suas considerações finais: “É bom a gente entender que todas as decisões importantes do nosso País passam pelo Senado.” Marta afirma estar preparada e diz estar pronta para discutir a reforma tributária, que será a primeira questão levada pela “presidenta Dilma Rousseff”.

00h13 – Marcelo Henrique fala sua consideração final: “Ciro, tenho orgulho de ser socialista. Em Cuba, não temos uma educação tão fraca como a que temos aqui em São Paulo. Estamos aqui com coragem, como você eleitor, que acredita em um mundo melhor.”

00h09 – Duda Mendonça cumprimenta Gilberto Kassab durante o intervalo. Ronaldo Esper deixa o estúdio.

00h06 – “Nós do PSOL combatemos a causa da desigualdade social”, diz Marcelo Henrique sobre a redução dos juros. “Ciro, quero colocar pra você essa indignação que nós temos, sobre a necessidade de inverter as prioridades”, diz. Ciro retruca: “Acho que vocês tem uma ideia que é mais antiga do que andar pra frente, que é estatizar tudo”.

00h05 – Marcelo Henrique pergunta a Ciro: “Uma das atribuições do senador é participar do orçamento da União. Eu quero saber o que foi votado no orçamento do ano passado” “Saúde é um direito do cidadão, assim como educação. Se vem muito número ou pouco número, eu quero saber o que você está achando em casa”, responde Ciro, para a plateia. “Quero falar com vocês não sobre número no orçamento”.

00h01 – Ciro fala ao público. “Tudo aquilo que vocês falam nas ruas já está resolvido”, diz, com ironia. Ciro classifica como um “balaio de gato” a aliança dos tucanos com Orestes Quércia em São Paulo. “Só 5% dos problemas de saúde se resolve em hospitais”, diz. Aloysio critica as manifestações da plateia. O candidato do PSDB desafia Ciro a conhecer a rede Lucy Montoro de reabilitação. “A saúde está nas costas do Estado, Municípios e associações beneficentes. Pra isso que precisamos de senador.”

00h00 – Ciro pergunta para Aloysio: “São vinte e tantos anos que vocês estão no governo. Vocês colocam de uma tal forma, que parece que nós estamos no paraíso. O que vocês vão fazer para melhorar a saúde?” Aloysio: “Nós investimos nas clínicas de recuperação, desde que nós consigamos verbas para isso. Começamos com Serra na prefeitura as AMAs na capital. O tratamento precisa sempre melhorar. E se nós estamos no poder há vinte e tantos anos é porque o povo nos elegeu, Ciro.” Ciro é aplaudido por assessores.

23h58 – Aloysio afirma que na região metropolitana de São Paulo, pela primeira vez, o transporte coletivo ultrapassou o transporte individual. Ele cita números da CPTM e do Metrô. “Nós vamos fazer porque já fazemos”, diz. Marcelo Henrique diz que o que o candidato do PSDB diz não é o que se vê no dia a dia.

23h56 – Aloysio pergunta a Marcelo Henrique: “Temos investimento grande na região metropolitana em transportes, mas não temos uma verba federal para isso. O que você como senador faria para melhorar isso?” “Muito daquilo que você fala que vai fazer, já poderia ter feito, Aloysio. Nós não precisamos eleger você como senador para fazer isso.”

23h53 – Como Netinho não está presente, Marta, que responderia à pergunta do candidato, tem mais um minuto e trinta para discursar. Ela destaca o bilhete única. “Nós precisamos do bilhete único em várias regiões metropolitanas”, diz. “Eu quando era prefeita, sugeri ao Alckmin que fizemos isso na região metropolitana. Não houve resposta”, ataca. Marta diz que será possível incluir a balsa de Santos no sistema.

23h51 – Como Marta foi sorteada para fazer uma pergunta para Netinho, a petista decide falar da questão do crack, que é “muito explorada pelo Netinho”. A ex-prefeita fala que é preciso construir mais clínicas de reabilitação.

23h50 – O prefeito Gilberto Kassab acaba de chegar ao estúdio da Gazeta. Duda Mendonça volta ao palco para falar com Marta enquanto a petista retoca a maquiagem.

23h44 – “Qual é concretamente seu primeiro projeto na educação”, pergunta a jornalista. Ciro critica a progressão automática. “Nós temos de fazer a correção dessa educação horrorosa. Dessa aprovação automática. É preciso um plano de educação que nem precise do Leva e Traz, sai muito mais barato”, afirma Ciro.

23h42 – Silvia Corrêa pergunta a Ciro Moura sobre educação: “O senhor fala em educação eleitoral, mas isso não é uma desinformação?” “Esse é outro assunto. Eu sou um paulistano feliz, estudei no colégio Roosevelt. Eu vivo a política, não da política. Educação é como saúde: não pode esperar. Nós temos tomar uma atitude emergencial, pois custa caro a educação. Esse é o assunto que interessa aqui”

23h40 – Marcelo reformula a pergunta. “A pressa não pode ser um problema a mais para as obras?” “Toda obra pode dar problema”, responde Marta. “Ninguém vai ser responsável e diminuir a fiscalização a ponto de causar uma tragédia”, continua. “Eu acho que tem muita coisa atrasada”, afirma. Marta concorda que os gastos com o Panamericano foram excessivos.

23h38 – Marcelo de Moraes pergunta a Marta: “Tem uma MP que foi emitida que muda as regras para as obras de aeroportos para a Copa e para as Olimpíadas.”Eu não conheço a regra, mas não acredito que o presidente Lula tenha aprovado isso”, responde Marta.

23h34 – Markum volta às queimadas, e lembra que a lei estadual foi resultado de uma negociação em que os produtores de açucar tiveram muita força. “O Sr. não considera que o Brasil precisa ter uma lei nacional que aborde a questão das queimadas.” Aloysio diz que concordou com ele. “Precisamos realmente de uma lei federal”, diz. “Precisamos de políticas públicas para a requalificação dos trabalhadores que ficarão sem emprego em função da mecanização”, diz Aloysio, que afirma concordar com a necessidade uma lei nacional sobre o tema.

23h33 – Paulo Markun pergunta para Aloysio Nunes sobre meio ambiente: “O Senhor, no Senado, votaria uma lei para acelerar o fim das queimadas?” “Com certeza, diz Aloysio. Eu acho importante que nós façamos uma lei para fazer uma meta de redução de gases como fizemos em São Paulo”

23h32 – Rila lembra que a segurança não se resolve apenas com investimentos no social, mas com repressão à criminalidade. Marcelo Henrique diz que irá investir no policiamento de fronteiras. “Ao invés de o governo federal pagar os juros, é preciso investir em segurança.”

23h30 – Luiz Fernando Rila, editor-executivo do Estadão pergunta a Marcelo Henrique: “O senhor votaria no Senado uma lei para mudar a legislação da segurança pública?” “Devemos buscar a redução da desigualdade social, e para isso precisamos de um Estado que possa gerar renda. Precisamos inverter a ordem nesse assunto. Se você conversar com nossos policiais, vai ver que eles não estão satisfeitos. Defendo a melhora, não mudança na constituição”, responde Marcelo Henrique.

23h27 – Embora o candidato do PTB, Romeu Tuma, não esteja participando do debate por motivos de saúde, seu suplente, Antonio Carbonari Netto, está na plateia.

23h21 – Aloysio e Marta conversam no intervalo, enquanto Duda Mendonça sobe ao palco para passar dicas à petista.

23h21 – Aloysio acena positivamente para um assessor quando Ciro fala que o governo do PSDB em São Paulo começou em 1982, com franco Montoro. “O Ciro e o Marcelo trataram de assuntos muito importantes, como a saúde e a educação. Mas eu quero falar da saúde, e lamento que o candidato Netinho não tenha vindo para o debate”, diz Aloysio. “Precisamos revisar a conta do SUS, por quer as contas das Santas Casas não fecham.”

23h19 – Ciro Moura diz que sempre lutou contra a “censura eleitoral”. Sobre a segurança, Ciro cita os governos do PSDB, que levaram as cadeias para o interior. “Você que vivia no paraíso no interior, hoje vive no inferno”, diz.

23h18 – “O que o PSOL tem de novo para a segurança em São Paulo?”, pergunta Ciro a Marcelo Henrique. Marcelo Henrique diz que seu direito de estar no debate de hoje faz parte da legislação eleitoral. “Quanto à segurança, precisamos aumentar nossa presença nas fronteiras. Temos de valorizar o policial. Precisamos de um estado forte para termos condições de proteger a nossa sociedade”

23h15 – Marcelo Henrique lembra o veto de FHC ao investimento de 7% do PIB em educação. “Lula fez campanha dizendo que aumentaria o orçamento da educação. O que aconteceu? Passaram-se 7 anos e isso não aconteceu”, diz Marcelo Henrique. “O presidente Lula fez um governo excelente em educação. Temos o Fundeb e o Prouni, além das universidades que ele criou”, rebate Marta, que enumera as obras do governo.

23h14 – “Utilizei 31% na educação, diz Marta. Nós temos que aumentar o investimento na educação”, ao responder pergunta de Marcelo Henrique sobre educação. “Para o Estado de São Paulo, eu proponho que nós façamos mais Ceus. Mas é preciso que tenhamos crianças que aprendam na escola, coisa que não está acontecendo”, diz Marta

23h11 – Ciro Moura aproveita e oportunidade de perguntar para Netinho, que não está presente, para lembrar que o eleitor terá de eleger dois senadores nessa eleição. Ele pede mudança no Senado e critica os que estão no poder. “Você que está em casa e que quer mudar: o segundo voto é a mudança, é tirar os encastelados do poder”, diz Ciro. Candidato foi aplaudido ao encerrar a fala.

23h10 – Marta lembra que foi ministra do turismo: “A gente vai ter a copa e eu concordo, Aloysio, que vamos ter de investir em infraestrutura. Vamos ter de investir nas instâncias turísticas.” “Nós investimos muito nas estâncias turísticas, Marta”, rebate Aloysio

23h06 – Na primeira rodada de perguntas, Marta pergunta para Aloysio. “Qual é seu plano para o turismo em São Paulo?”, pergunta Marta. “O turismo em São Paulo precisa de infraestrutura aeroportuária, e nisso o governo federal tá muito atrasado”, ataca Aloysio, lembrando ser função do senador cobrar um maior empenho do governo federal nesse setor. Ele cita a criação de escolas de turismo no Estado. “Os aeroportos de São Paulo estão vivendo um apagão”, diz. “Acho que a função do senador é brigar por esses investimentos”.

23h01 – Começa o debate Estadão/Gazeta. Maria Lydia explica as ausências de Tuma e Netinho, e enfatiza que a bancada de Netinho será mantida, uma vez que ele havia confirmado presença. Os jornalistas Luiz Fernando Rila e Marcelo de Moraes, do Estadão, e Paulo Markum e Silvia Corrêa, da Gazeta, serão os entrevistadores.

22h57 – Todos os candidatos estão colocados no palco. O debate começa em poucos instantes. O cantor Supla, filho de Marta Suplicy, foi mais assediado do que Ciro Moura quando chegou à TV Gazeta.

22h48 – O apresentador Ronaldo Esper, candidato à Câmara dos Deputados pelo PTC, acaba de chegar à TV Gazeta. Também está na plateia o deputado estadual Enio Tatto, do PT.

22h35 – Terceira a chegar ao debate, a candidato do PT, Marta Suplicy, chegou acompanhada de seu ex-marido, o senador Eduardo Suplicy, e do marqueteiro Duda Mendonça. “É chato faltar a debate”, diz Duda Mendonça sobre ausência de Netinho. Ciro Moura, do PTC, chegou poucos minutos depois e também falou sobre a ausência de Netinho no debate de hoje. “Toda decisão tem de ser respeitada. É um direito que ele tem, e mesmo que a gente não concorde.” Questionado se a ausência do ex-governador Oreste Quércia poderia lhe favorecer nas pesquisas, Ciro disse que a decisão “abre espaço para que sua candidatura cresça”. Indagado sobre a surpresa provocada por seu bom desempenho nas pesquisas, Ciro ironizou: “Eu sou o verdadeiro povo de São Paulo: desqualificado e achincalhado.”

22h26 – Ao chegar à TV Gazeta, o candidato do PSDB ao Senado, Aloysio Nunes Ferreira, evitou comentar a ausência de Netinho no debate. Perguntado se a desistência do comunista seria por causa do tom de sua campanha, que nos últimos dias tem abordado a Lei Maria da Penha, Aloysio negou, mas ressaltou estar tratando de um tema da maior importância, que é a agressão contra as mulheres.

22h11 – O candidato do PSOL ao Senado por São Paulo, Marcelo Henrique, foi o primeiro a chegar ao debate Estadão/Gazeta. Ele aproveitou para explorar o fato de ter ido na Justiça para estar no encontro, enquanto Netinho desistiu: “Enquanto eu lutei para ter o meu lugar aqui, o Netinho se omitiu de debater suas ideias com os eleitores. Isso é lastimável para uma campanha ao Senado”. Questionado sobre as chances de se eleger senador, Marcelo Henrique disse que “o objetivo do PSOL é apresentar os nossos candidatos, apesar do desempenho dos outros. Temos otimismo.”

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