Candidatos da OAB-SP trocam farpas, mas convergem em defesa da classe
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Candidatos da OAB-SP trocam farpas, mas convergem em defesa da classe

Ricardo Chapola

27 de novembro de 2012 | 14h01

O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – Apesar de alguns momentos polêmicos, marcados por troca de acusações sobre temas como aborto ou controle de drogas, os três candidatos à presidência da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) mostraram na última segunda-feira, 26, no debate promovido pelo Estado – e transmitido pela TV Estadão – um objetivo em comum: todos defendem a manutenção das prerrogativas da classe na capital paulista.

A eleição será realizada nesta quinta-feira. Marcos da Costa, candidato da situação, com apoio do atual presidente, Luiz Flávio Borges D’Urso – que está no posto há 9 anos – foi seguidamente cobrado pelos dois rivais oposicionistas, Ricardo Sayeg e Alberto Zacarias Toron. De saída, acusado de não ter propostas, o candidato situacionista rebateu: “Não é uma candidatura personalista. Estou bastante preparado para presidir a entidade”.
Pouco depois, Costa era acusado por Toron num caso de crime ambiental. “Instrumentalização para fins políticos não pode acontecer”, afirmou Toron.

Os três convergiram, porém, na discussão sobre a prerrogativa da saúde para os advogados paulistas – nascida da proposta de Sayed de criar hospitais exclusivos para a classe. “O advogado, quando fica doente, é lançado à miséria. A OAB serve para defender a Constituição, para atender os direitos fundamentais da população. Mas ela também serve para defender o advogado”, advertiu Sayeg.”Só critica esse projeto quem tem plano de saúde milionário.”
Costa e Toron não concordaram com a ideia de que caiba à OAB custear a construção de hospitais para os advogados. Em vez disso, ambos apoiaram a implementação de planos de saúde.

“A Ordem não tem condições de construir um hospital. O que a Ordem tem condições é de criar plano de saúde decente para o advogado. Coisa que a atual gestão não fez”, afirmou Toron.

Criticado, Costa voltou no bloco seguinte acusando Toron de “sentir mágoas” por ter perdido espaço na equipe de D’Urso durante sua gestão na instituição.

Aborto. Tema dominante no segundo bloco, o aborto aproximou as posições de Sayeg e Costa, desta vez contra Toron. Costa mostrou-se contrário à legalização do aborto: “Não pode ser liberado, sou radicalmente contra”, concordou Sayeg. Toron ponderou, por sua vez, que “a OAB não tem que ser a favor ou contra, mas discutir a matéria”. Para ele, “isso precisa ser pensado com base na realidade, não adianta querermos nos apresentar como cristãos quando a realidade é outra”.

A legalização das drogas tomou a maior parte do terceira bloco. Sayeg afirmou que Toron havia defendido essa posição. “A liberação da droga vai financiar os cartéis, o narcotráfico, essa guerra civil que estamos vivendo em São Paulo”, argumentou. Marcos da Costa reforçou essa opinião. “Sou contra qualquer forma de liberalização das drogas. Rezo todo dia para que meus filhos não se envolvam (com drogas)”, afirmou.

Em outro momento, Toron cobrou do adversário situacionista o fato de o atual presidente da OAB ter-se lançado candidato a vice-prefeito na chapa de Celso Russomanno (PRB) e com isso ter transformado a OAB paulista em um “estaleiro de político fracassado”. Segundo ele, com tal iniciativa a entidade deixou de representar a classe para atender aos interesses políticos do mandatário. E, dessa forma, “se esqueceu dos advogados”.
Em suas considerações finais, Costa afirmou que espera que as eleições da OAB-SP sirvam de exemplo para o País e festejou o êxito ao regularizar todo o processo administrativo da entidade. Toron enfatizou a importância de se resgatar o papel social da OAB, segundo ele dirigida nos últimos três anos por uma gestão “arrogante” e “inábil”. Sayeg, em sua conclusão, prometeu “representar adequadamente a advocacia” em São Paulo.

Veja os principais trechos de todo o debate:

16h20 – Alberto Toron, em sua conclusão, classificou a gestão atual da OAB de “arrogante e inábil” e prometeu que, se for eleito, vai mudá-la.

16h18 – Na sua vez, Sayeg ressaltou que se lançou candidato da chapa que vai representar “adequadamente a advocacia” e defender “cada advocado da cidade de SP”.

16h14 – Em suas considerações finais, Marcos da Costa manifestou respeito aos seus adversários e afirmou que espera que as eleições da OAB sirvam de exemplo para todo o País.

16h08 – Para Toron, a queda de prestígio da advocacia é atribuída, dentre outras coisas, ao uso político que fazem da Ordem. Ele se referiu outra vez ao ex-presidente da OAB, que saiu como candidato à vice prefeito de SP.

16h07 – O candidato Alberto Toron se defendeu e afirmou que seus rivais distorcem sua fala.

16h06 – Sayed também reforçou a acusação e disse que Toron defendeu “até a liberação da cocaína”. “Será que existe uma boa cocaína, uma boa maconha? Falou da liberação até mesmo da cocaína. Isso é péssimo. Isso não pode servir de bandeira me hipótese alguma para a Ordem”, disparou.

16h04 – Marcos da Costa também se posicionou contrário à legalização das drogas: “Tenho posição firme, série, contra qualquer forma de liberação das drogas. Rezo todo dia para que meus filhos não se envolvam com drogas”, disse. Ele também acusou Toron de comparar o usuário de maconha a quem bebe caipirinha.

16h01 – Toron lembrou do que era feito com os usuários de droga na época da ditadura. “É preciso que se discuta o que fazer o que com o usuário. É legítimo que nós nos posicionemos. O que não podemos é nos escondermos atrás de frases feitas e de conceitos.”

15h55 – Pergunta dirigida a Ricardo Sayed sobre se ele é a favor da legalização das drogas. Sayed afirmou ser contra a legalização. “A liberação da droga vai financiar os cartéis, o narcotráfico, a violência, essa guerra civil que estamos vivendo em SP. É evidente a relação com a droga”, disse. Sayeg também acusou Toron de defender a liberação num simpósio científico que o candidato rival apresentou e tem em seu currículo.

15h49 – Fim do segundo bloco.

15h49 – Toron comentou que a OAB não tem que ser a favor ou contra a legalização do aborto, mas discutir a matéria. “Estamos num estado laico. Não é o aborto banalizado, livre e indiscriminado. Isso precisa ser pensado com base na realidade. “Não adianta nós querermos nos apresentar como cristãos quando a realidade é outra”, disse em crítica à opinião dos seus rivais. “O papel da Ordem não é ser ou não a favor do aborto. É discutir esse assunto”.

15h47 – Na mesma linha foi a resposta do candidato da oposição Ricardo Sayeg: “O aborto não pode ser tido como liberado.  Pensando em aborto, na minha esfera individual, eu sou radicalmente contra. Eu ainda sou a favor da vida, sou a favor da existência.

15h44 – A quarta pergunta é se o candidato Marcos da Costa é a favor da legalização do aborto.  Ele afirmou não ser a favor, citando sua vida pessoa, por ter mulher e filha.

15h40 – Toron negou qualquer rusga com D’Urso. “Não existe isso”.

15h39 – Sayeg concordou com Marcos da Costa. “Foi uma briga pessoal que o Toron teve com o D’Urso. Toda a advocacia sabe disso”.

15h38 – Para Marcos da Costa, Toron tem mágoas por ter perdido espaço na equipe de D’Urso quando ele presidia a OAB.

15h32 – Toron afirmou que o ex-presidente da OAB-SP, que apoia o candidato Marcos da Costa,  fez da Ordem um “estaleiro de político fracassado”. “Eu acho um cúmulo um sujeito fracassado na campanha eleitoral fazer da OAB como se fosse estaleiro de político fracassado”, afirmou. Luiz Flávio Borges D’Urso foi candidato à vice prefeito de São Paulo neste ano na chapa de Celso Russomanno (PRB).

15h31 – Fim do primeiro bloco.

15h30 – Sayeg: “Eles não acreditam do hospital do advogado porque eles (situação) não conseguiram fazer.”

15h27– No comentário, Toron disse que Sayeg refluiu  da resposta. “A Ordem não tem condições de construir um hospital. O que a Ordem tem sim condições é de criar plano de saúde decente para o advogado. Coisa que a atual gestão não fez”.

15h24- A segunda pergunta foi sobre a proposta de Ricardo Sayed de serem construídos hospitais para os advogados. “O advogado quando fica doente é lançado à miséria. A OAB serve para defender a Constituição, para atender os direitos fundamentais da população. Mas ela também serve para defender o advogado”, disse Sayeg.

15h17 – Marcos das Costa teve direito de resposta concedida, mas seu tempo se esgotou durante a réplica.

15h16 – O outro candidato da oposição, Alberto Toron, em comentário da primeira pergunta, afirmou que a OAB, durante a gestão de Marcos da Costa, “sentou no banco dos réus” por causa de um crime ambiental. “Instrumentalização da OAB para fins políticos não podem acontecer”, disse Toron.

15h15 – Sayeg respondeu que o candidato da situação não tem proposta. “É inadmissível”. Infelizmente há continuidade e falta de proposta.

15h13– Marcos da Costa é o primeiro a responder. Seu adversário, Ricado Sayeg classifica que Costa tem perfil limitada. Em resposta, Costa apresentou seu histórico e disse que está preparado para presidir a OAB-SP.  ”Não é uma candidatura personalista. Estou bastante preparado para presidir a entidade”, afirmou o candidato Marcos da Costa.

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