Ministro da Justiça diz que crime organizado tem vírus da corrupção
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Ministro da Justiça diz que crime organizado tem vírus da corrupção

Redação

07 de outubro de 2011 | 21h34

O ministro José Eduardo Martins Cardozo, da Justiça, disse nesta sexta feira, 7, em São Paulo que “o crime organizado traz consigo o vírus da corrupção”. Ao analisar a operação da Polícia Federal, deflagrada nesta sexta simultaneamente em 15 Estados – 13 pessoas foram presas acusadas de integrarem rede de contrabando liderada pelo israelense Yoram El Al  –, o ministro foi enfático. “Corromper autoridades é uma forma de fazer com que o crime organizado não seja atacado e floresça.” Leia abaixo a íntegra da entrevista do ministro ao Estado.

Estado: A operação desta sexta-feira da Polícia Federal é uma resposta ao crime organizado?
José Eduardo Martins Cardozo: Não diria que é uma resposta, é uma ação permanente da Polícia Federal no combate ao crime organizado. É mais uma operação que se realiza, que nós pretendemos ampliar nesse leque de atuação, particularmente na questão do narcotráfico. Estamos finalizando um plano de combate ao uso de drogas, onde teremos uma forte ação de segurança no combate às organizações criminosas. Este plano também é em conjunto com o Ministério da Saúde, na prevenção, no tratamento e na reinserção social dos dependentes. No plano da segurança pública vamos reforçar cada vez mais a atuação da Polícia Federal para que estas organizações sejam atingidas.

Estado: No caso de hoje, qual é a preocupação da Polícia Federal?
Cardozo: Nestas situações existem organizações que atuam muito pesadamente. Após uma apuração cuidadosa e meticulosa, era necessário aqui tomar medidas cabíveis para que situações como esta não continuem a incidir na realidade do País. Essa operação teve essa característica, e muitas outras virão.

Estado: Por que o crime organizado chegou a esse ponto de ousadia?
Cardozo: O crime organizado não é uma característica exclusiva brasileira, é uma característica internacional. Nós vivemos uma forte intensificação do processo de globalização, o crime também passa por essa questão. Quando falamos em crime organizado, temos de pensar dentro das nossas fronteiras e fora delas. Temos de pensar na integração dos nossos policiais com os policiais de outros países. Temos tido uma forte política de colocar adidos da PF em embaixadas estrangeiras porque isso permite um maior nível de colaboração. Recentemente vi o relatório sobre drogas em que se registrava o número de apreensões em solo estrangeiro (vindos do Brasil). Esse grande número de apreensões foram a partir de investigações e informações da Polícia brasileira passadas para autoridades estrangeiras. Muitas vezes o país não tem nenhuma apreensão de policiais estrangeiros lá, o que passa a falsa impressão que ali não existe esse tipo de atividade. No Brasil, esse nível elevado de apreensão se dá pela estrita colaboração da PF. Portanto a PF funciona e funciona bem. Acho, porém, que o crime organizado só floresce quando há corrupção no segmento da máquina pública. Uma característica central do fortalecimento do crime organizado é a existência de infraestruturas atingidas pela corrupção no Estado, em seus diversos segmentos. Ou seja, o crime organizado traz consigo o vírus da corrupção. Corromper autoridades é uma forma de fazer com que o crime organizado não seja atacado e floresça.

Estado: O que está faltando para que outros países colaborem?
Cardozo: Eles também colaboram, por exemplo, temos tipo colaboração forte de outros países como o Peru, onde a Polícia Federal conseguiu fazer uma erradicação de plantação de coca em solo peruano com o apoio da polícia peruana. O mesmo posso dizer do Paraguai, que erradicou plantações de maconha. Recentemente em reunião com o G-8 na França, com ministros da Justiça de todo o mundo, ressaltaram que hoje não se diferenciam mais países produtores de países de trânsito e consumidores de drogas para efeitos de ação policial, as quais devem ser compactuadas. Por isso se fortalece a idéia de mecanismos internacionais de polícia atuando de forma integrada.

Estado: O vírus da corrupção em sua larga escala é preocupante?
Cardozo: A corrupção por si só é sempre preocupante, especialmente quando ela atinge camadas do Estado que deveriam ser impermeáveis a ela, por exemplo as forças policiais, a máquina judiciária, o universo político… A essa preocupação se soma a questão do crime organizado, ou seja, quando o crime organizado captura setores do Estado, nós temos a grande dificuldade no enfrentamento da situação. Esse é o pior dos mundos, ou seja, para que possamos combater mais o crime organizado, precisamos combater fortemente a corrupção, e digo que, por excelência, se deve combater a corrupção nos organismos. Não podemos permitir a corrupção em nenhum órgão no Estado.

Tudo o que sabemos sobre:

corrupçãocrime organizadoPFtráfico

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.