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‘Conviver com a crítica é compromisso com a democracia’, defende Dilma

Armando Fávaro

21 de fevereiro de 2011 | 23h32

André Mascarenhas

A presidente Dilma Russeff voltou a defender nesta segunda-feira, 21, o exercício da crítica como um dos pilares fundamentais para que o Brasil ingresse no clube dos países desenvolvidos. “Um governo deve saber conviver com as críticas dos jornais para ter um compromisso real com a democracia”, discursou a presidente durante a comemoração dos 90 anos do jornal Folha de S.Paulo.

“A multiplicidade de pontos de vista, a abordagem investigativa e sem preconceitos dos grandes temas de interesse nacional, constituem princípios indispensáveis para o pleno usufruto da democracia. Mesmo quando são irritantes”, asseverou Dilma.

Após cumprimentar todas as autoridades presentes, Dilma traçou um rápido panorama da história da imprensa, desde a independência do Brasil, para lembrar que, na maior parte do tempo, ela esteve sob alguma forma de censura. “A censura obrigou o primeiro jornal brasileiro a ser impresso em Londres”, pontuou a presidente. “De Libero Badaró a Vladimir Herzog, ser jornalista no Brasil tem sido um ato de coragem”, admitiu.

Nos cumprimentos iniciais, Dilma fez menção ao ex-presidente e seu adversário político Fernando Henrique Cardoso, presente na plateia, mas não citou o também ex-presidente, e seu aliado no Congresso, Fernando Collor de Mello – que também esteve na Sala São Paulo, no centro da capital, para a festa.

Segundo a presidente, uma imprensa livre, plural e investigativa é imprescindível para a democracia num país que, “além de ser continental, é um País que congrega diferenças culturais, apesar da nossa unidade”.

Dilma também destacou o surgimento de “novas fronteiras digitais”, com a consolidação do jornalismo em tempo real. Para ela, os dois grandes desafios da imprensa hoje são: conjugar a velocidade da informação com a profundidade exigida e a necessidade de se aceitar as críticas dos leitores como parte do processo comunicativo.

Ao fim de seu discurso, a presidente voltou a usar a frase com que defendeu a liberdade de expressão durante a campanha eleitoral de 2010. “No Brasil de hoje, nesse Brasil com uma democracia tão nova, todos nós devemos preferir, um milhão de vezes, os sons das vozes críticas de uma imprensa livre, ao silêncio das ditaduras”, concluiu.

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