Zero Hora: Parceiros históricos da esquerda, PT e PSB vivem instabilidade na relação

Lilian Venturini

10 de julho de 2012 | 10h25

Por Zero Hora

O casamento entre PT e PSB, parceiros históricos no cenário político nacional, está em crise — e, em alguns casos, já acabou até em divórcio.

Divergências de interesse e disputas por espaço levaram as siglas a rompimentos traumáticos em grandes cidades, como Recife, Fortaleza e Belo Horizonte. No Rio Grande do Sul, a cisão se manifesta em duas frentes: na briga pela prefeitura de Porto Alegre e nos bastidores do Piratini.

Em âmbito nacional, o distanciamento é visível. Nas eleições de 2008, o PSB apoiou o PT em 10 capitais. Hoje, são cinco. Os socialistas só se coligaram com os petistas em São Paulo por conta de um pedido pessoal do ex-presidente Lula. Em outros Estados, não houve quem conseguisse apaziguar os ânimos, a ponto de Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, ter sido chamado de traidor. Muitos petistas desconfiam de que Campos estaria pavimentando a candidatura ao Planalto, ameaçando a hegemonia do PT.

No caso de Porto Alegre, o presidente estadual do PSB, Caleb de Oliveira, nega a existência de conflitos, mas reconhece que “o PT é um parceiro difícil” por sempre exigir a cabeça de chapa nas coligações. Na Capital, os petistas lançaram a candidatura de Adão Villaverde, mas não conseguiram o apoio do PSB, que ficou do lado de Manuela D’Ávila (PC do B). Para uma ala do PSB, o partido vem sendo desvalorizado no Piratini e deve repensar os rumos. Atualmente, exceto pela cadeira de vice-governador, ocupada por Beto Grill, o PSB tem o controle de apenas uma secretaria — de Infraestrutura e Logística, comandada por Beto Albuquerque. O secretário, porém, enfrenta resistências internas.

— Estamos sendo desrespeitados. Já tem gente defendendo aliança com a senadora Ana Amélia Lemos em 2014 — avalia um integrante da base aliada.

Nos 10 maiores colégios eleitorais do Estado, PT e PSB são adversários em seis — em 2008, eram cinco. O clima promete esquentar em municípios da Região Metropolitana, como Gravataí, Cachoeirinha e Viamão.

— Vai ser complicado. O PT preferiu fazer oposição, e as relações não estão nada boas — admite o deputado estadual Miki Breier (PSB).

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