Tribuna da Bahia: José Carlos Aleluia diz que falta capacidade gerencial ao PT

Lilian Venturini

15 de outubro de 2012 | 16h09

Por Tribuna da Bahia

O presidente estadual do DEM, José Carlos Aleluia, não poupa críticas à administração do governador Jaques Wagner e ao modelo de governar do PT. Nessa entrevista à Tribuna, o dirigente democrata defende os argumentos do seu candidato ACM Neto e fala que o equilíbrio no tempo do horário eleitoral gratuito vai permitir a apresentação de propostas para a cidade. Aleluia diz ainda que o democrata vai atrair os votos dados na primeira fase do pleito aos candidatos Marcio Marinho e Mário Kertész.

Tribuna da Bahia – Como o senhor avalia o resultado das eleições em Salvador, sobretudo, a divisão da cidade entre ricos e pobres?
José Carlos Aleluia
 – Nós tivemos uma grande vitória. Nós fizemos uma campanha voltada para toda a cidade. A Bahia não se divide. Salvador não se divide. Salvador é uma cidade viva. O candidato de Jaques Wagner já perdeu três eleições tentando dividir a cidade e não conseguiu, essa é a terceira e agora vai perder a quarta no dia 28. Salvador é um conjunto de pessoas que respiram o respeito aos outros, a solidariedade, o amor a vida, o amor a sua cidade, tanto que dividir a cidade é uma coisa que não passa pela nossa cabeça e não passa pela cabeça dos baianos.

Tribuna – A que o senhor atribui o crescimento do PT, já que ele começou tão fragilizado no primeiro turno?
Aleluia
 – Primeiro eles tinhas três vezes mais tempo de TV e rádio do que nós tínhamos. Tinham auxilio de algumas outras forças, que estavam disputando e que usavam o tempo para atingir nosso candidato. Tinham três vezes mais comerciais de televisão, que pesam mais ainda que os programas eleitorais. Eles gastavam até 13 comerciais por dia para agredir de forma vil, desleal e desonesta o nosso candidato ACM Neto, de modo que eles conseguiram isso. Eles não conseguiram crescer. Eles conseguiram apenas gastar tempo, sem fazer propostas sem dar esperanças para cidade e atacaram o nosso candidato. Uma eleição desproporcional. Uma eleição onde eles tinham o triplo de tempo de televisão, o triplo de tempo rádio, o que não acontecerá no segundo turno. Agora no segundo turno vai ser fácil mostrar que o PT não tem capacidade gerencial na Bahia, comprovadamente. Nos seis anos de Wagner, é bom que se lembre que Wagner foi reeleito depois de quatro anos medíocres graças a ideia que ele teria possibilidade de fazer quatro anos melhor com o apoio do governo federal, e a Bahia vem perdendo sucessivamente espaço no cenário nacional. O prestigio da Bahia nunca foi tão pequeno. Nós já não temos ministros, nós não temos voz. O governador e os seus aliados sempre estão em acordo com o que o governo federal quer, independente do interesse da Bahia. Foi assim no passado quando nós lutamos para trazer a indústria para a Bahia e eles ficavam a favor da tese dos outros estados e não da Bahia. Foi assim agora, logo que o governo Wagner trouxe de volta o horário de verão, que nós do governo Paulo Souto tínhamos tirado depois de uma pesquisa de opinião pública e verificado que o horário é perverso com os mais pobres que moram mais longe e tem que se deslocar com nesse sistema de transporte caótico, que é o sistema de transporte de Salvador e agora na véspera da eleição, eles tentam mudar, desfazer o erro cometido, mostrando claramente, que o PT da campanha é um e o PT do governo é outro. Portanto, como eleição é uma coisa que está associada a credibilidade. O governador Jaques Wagner e o seu candidato não tem credibilidade.

Tribuna – Quais as estratégias que o Democratas vai usar para tentar vencer as eleições?
Aleluia 
– Nós vamos vencer o segundo turno, como vencemos no primeiro turno, de forma honesta, fazendo proposta para Salvador, mostrando que nossa capacidade gerencial é maior, que nosso candidato é melhor. Outro detalhe do segundo turno é que os debates, como se dizem no futebol, serão mano a mano. ACM Neto contra o candidato de Jaques Wagner. As pessoas vão ver a nítida diferença. Do cidadão e político nacional que é ACM Neto. Sua capacidade de líder. Líder do partido, várias vezes, vice-presidente da câmara com excepcional desempenho fluente no congresso, contra um deputado que se candidata apenas com a idéia que vai ser o candidato de Jaques Wagner. O candidato de Jaques Wagner significa a continuidade do que é Salvador hoje e o povo não quer essa continuidade. Nós temos propostas melhores para a questão da segurança pública. Lançamos há quatro anos a idéia de que a inteligência municipal tem que participar da administração da segurança com inteligência monitoramento, através de vídeo e da própria Guarda Municipal. Temos proposta para a saúde para trazer eficiência ao sistema de saúde. Não essas coisas eleitoreiras. Nós queremos voltar a ter a gestão plena da saúde de Salvador, que foi retirada. O grande responsável pelo fracasso da saúde em Salvador é o governo do estado não é a prefeitura. A prefeitura é um desastre e o governo do estado adiciona outro desastre. Nós queremos inovar exigindo do governo do estado, como prestador de serviços.

Tribuna – Como assim?
Aleluia 
– É bom que fique claro que o governo do estado é prestador de serviço de saúde, através dos seus hospitais, já que o município presta um mau serviço, tem que ser cobrado. Nós vamos melhorar a vida das pessoas, melhorando a forma de se mover na cidade, acabando com os engarrafamentos monstruosos. Não fazendo propostas mirabolantes Uma coisa peculiar no PT é que toda eleição eles inventam uma série de obras, que agora são feitas com facilidade na computação gráfica, com programas mais modernos e aparecem na televisão como se existissem. Na eleição passada, foi uma ponte para Itaparica, que aparecia como se tudo estivesse concluído e não existe mais ponte, eles não falam mais em ponte. Outra obra que eles falavam era a ferrovia para o Oeste, que ligaria o porto de Ilhéus ao Pacifico, já não existe mais, está paralisada praticamente, não tem nem 5% da obra, já não chega sequer à Ferrovia Norte Sul. Wagner é o governo que mais se prometeu e que mais se deu desculpa. Em alguns casos ele nem desculpa dá. O PT é especialista em promessas e desculpas. No caso do governador da Bahia até as desculpas são esfarrapadas.

Tribuna – O que o democrata e a coligação encabeçada por vocês vão fazer para atrair o eleitorado de Mário, de Marinho e os indecisos?
Aleluia 
– O eleitorado de Mario é um eleitorado que rejeita o PT, o eleitorado de Marinho é um eleitorado que rejeita o sistema petista de governar. Eu tenho absoluta certeza que a maioria do eleitorado de Mario virá para a candidatura de ACM Neto e tenho também convicção de que uma grande parte do eleitorado de Marinho virá para a candidatura de ACM Neto, porque não agüenta mais a continuidade. Não agüenta mais a falência governamental que o PT implantou em Salvador e na Bahia.

Tribuna – O apoio dos 15 partidos a Pelegrino nessa reta final pode prejudicar ACM Neto?
Aleluia
 – Esse apoio foi muito útil no primeiro turno, porque adicionou a ele tempo de televisão. No segundo turno esse apoio é praticamente nulo. Já não acrescenta nada. Nós temos uma força muito grande com a força do PMDB, pois trouxe para nossa candidatura não só o apoio de um partido que tem história, o partido de mais historia do Brasil, o antigo MDB, mas traz também os seus filiados, os seus vereadores, a sua militância. Eu costumo dizer que uma eleição se divide entre uma batalha aérea, que são os rádios, televisão jornal e a internet, que hoje tem sua influência e o chão, batalha terrestre. Nesse ponto o PMDB vem com toda militância. Totalmente o vice, o candidato a vice prefeito e os vereadores, os que venceram e não venceram se incorporaram totalmente a campanha de ACM Neto.

Tribuna – E o discurso de alinhamento dos governos federal e estadual, isso pode trazer novas dificuldades para vocês agora na campanha?
Aleluia
 – Eu aprendi quando estudava adição: nas operações fundamentais existia a chamada prova real. A prova real é que o alinhamento não funciona quando há uma administração incapaz, como a do PT na Bahia, que é a do o governo Wagner. Que fez com que a Bahia deixasse de ser uma locomotiva protagonista do Nordeste para virar um estado isolado, que não tem criatividade, que não investe. O grande legado do último ano da administração de Wagner foram 115 dias de greve das escolas estaduais, que significa quase quatro meses com os estudantes da rede pública do estado e de Salvador sem aula. É um crime contra a juventude soteropolitana e baiana. Além da greve a policia que deixou uma lembrança muito triste, com mais de 165 mortos. Nós entendemos que deve haver harmonia entre os poderes executivo, legislativo e judiciário e entre os níveis de poder municipal, estadual e federal. Harmonia não significa subordinação. Nós não precisamos em Salvador de mais um secretário de do governador Wagner como se propõe ser o seu candidato.

Tribuna – Tribuna – E os ataques… Como vão agir nesse segundo turno? Vão elevar o tom da campanha?
Aleluia
 – Nós não teremos preocupação com esses ataques, pois deixamos bem claro que era tudo fictício, armação, tudo montagem de imagem e eles não são loucos de voltarem com essas maluquices. Um candidato que não tem o voto sequer do governador, que embora more em Salvador use o helicóptero da polícia para ir votar em Camaçari. Isso é uma tristeza. O governador sai do Palácio de Ondina, em um dia de domingo, sem tráfego, poderia ir muito bem para Camaçari de carro, usa o helicóptero para votar em Camaçari. Então não nos preocupamos com o PT. O PT em Salvador vai ter uma grande derrota, que é uma demonstração da população com da insatisfação, com o projeto que o PT de Wagner implantou na Bahia

Tribuna – O que diferencia o candidato do DEM do candidato do PT ?
Aleluia 
– Competência, competência e competência

Tribuna – O que vai ser feito pela coligação de ACM Neto para atraírem os votos da camada mais pobre da população, que deu uma votação expressiva ao candidato Nelson Pelegrino?
Aleluia
 – Essa população foi influenciada pelo tempo de televisão e raio maior do candidato do PT. Nós vamos mostrar nossas propostas para atender bem a população vamos mostrar que em Salvador, o programa Bolsa Família foi criado através de uma emenda do senador Antonio Carlos Magalhães, pode ser mais do que duplicado o número de pessoas atendidas pelo Bolsa Família e não foi duplicado graças a incompetência que ai está. Nós vamos lutar para implantar uma estrutura que traga todos os baianos, que não estão no Bolsa Família, mas merecem fazer jus e possam ter. Nós temos certeza que podemos ter um programa muito mais amplo na área social do que o PT que não tem nada. A pergunta para o PT que não quer calar é: porque não fez? Porque o PT não governou bem Salvador e a Bahia até hoje? Só faz promessa em épocas de eleição? As pessoas dizem claramente: ora, nós já fomos enganados três vezes por esse partido, sempre comandado por Jaques Wagner e agora aparece um candidato que quer ser secretário de Jaques Wagner na prefeitura de Salvador. Isso não.

Tribuna – E o apoio do prefeito João Henrique. Vocês vão fazer algum movimento para atraí-lo?
Aleluia 
– No primeiro turno, o partido do prefeito João Henrique, o PP, apoiou Pelegrino. Não me consta que haja movimento nenhum no sentido diferente. Nós não pedimos e não teremos o apoio de João Henrique. Ele é aliado de Wagner. Mais uma prova que o alinhamento não prospera e não funciona quando não há capacidade gerencial. Outro exemplo de que o alinhamento é um desastre é o prefeito de Feira de Santana, que se elegeu pelo democrata e traiu logo em seguida o democrata para se alinhar a Jaques Wagner. Nessa eleição eram quatro candidatos e ele ficou em quarto lugar.

Tribuna – Qual o maior desafio dessa fase do pleito e qual a expectativa do senhor?
Aleluia 
– O maior desafio e fazer uma campanha em curto espaço de tempo. A eleição já é dia 28 e nós temos que andar nas ruas, nosso candidato tem uma vitalidade muito grande e uma disposição muito grande, e a militância nossa está muito disposta a isso. Nós vamos fazer um resumo na televisão do que será nosso governo. No primeiro turno nos tivemos muita pouca chance de apresentar nossas propostas porque terminamos tendo que explicar as mentiras do nosso adversário. Agora nós vamos apresentar propostas e a diferença não vai ser pequena. Vamos ganhar com uma diferença muito grande.

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