Tribuna da Bahia: ACM Neto diz que Wagner e Dilma têm obrigação de ajudar Salvador

Lilian Venturini

24 de setembro de 2012 | 13h38

Por Tribuna da Bahia

Confiante de que conseguirá convencer o eleitor e que ainda sairá com a vitória na disputa pelo Palácio Thomé de Souza, o candidato da coligação É Hora de Defender Salvador, ACM Neto (DEM), quer aproveitar a reta final de campanha para enfatizar sua mensagem de que “Salvador pode andar com as próprias pernas”.

“Vou mostrar que essa tática do medo e da chantagem não cola em Salvador, que esse discurso que tentam impor de que o prefeito tem que ser do mesmo partido do governador e da presidente não é o mais importante para a cidade”.

Numa tentativa de combater o discurso do seu adversário Nelson Pelegrino (PT), o democrata argumenta que existem vários exemplos de prefeitos que são ligados aos governadores, mas que não fizeram boa administração. Ele também cita casos onde não há o alinhamento e que, no entanto, os prefeitos tiveram como marca uma boa gestão.

O candidato justifica que nunca ouviu da presidente Dilma Rousseff (PT) e do governador Jaques Wagner (PT) qualquer palavra que indique que haverá perseguição ao prefeito que não for do mesmo partido e acrescenta: “Eu não vou ficar com essa coisa de ficar chorando no ombro de ninguém. Eu quero ser parceiro, vou buscar o apoio, quero que eles ajudem, quero que eles invistam, e vão investir. Salvador vai ser sede da Copa do Mundo, é a terceira maior cidade do Brasil, é uma cidade superimportante, deu uma expressiva votação a Wagner, deu uma grande votação a Dilma. Eles têm obrigação com a nossa cidade e vão investir na nossa cidade”, afirmou, frisando ainda que não poderá transferir certas responsabilidades para o gestor estadual e para a líder da nação, pois algumas demandas só o prefeito é quem pode resolver.

Nesta entrevista, Neto também admite que a eleição pode ser decidida em dois turnos e que na segunda etapa haverá chance de maior equilíbrio, pois os dois concorrentes terão o mesmo tempo de televisão e rádio.

Entretanto, questionado se já teria conversado com o PMDB – que tem como candidato Mário Kertész – sobre um suposto apoio para o segundo turno, o democrata diz que: “As conversas não começaram ainda e não poderiam ter começado por respeito aos adversários. Eu acho que seria um desrespeito da minha parte procurar qualquer um dos cinco concorrentes “.

Tribuna – Como vê a consolidação da sua candidatura nesta reta final da campanha?
ACM Neto
– Eu acho que chega consolidada. Nós conseguimos manter um bom nível na campanha eleitoral até agora, apesar de estarmos sendo muito atacados, alvo de manipulações, de injustiças no horário político. Ainda assim a gente consegue manter uma densidade, uma consistência junto à população. Eu acho que chegamos com bastante fôlego pra enfrentar esta reta final da campanha e muito animados com a hipótese de vencer a eleição, que vai ser decidida em outubro deste ano. Estou muito confiante em um resultado de vitória.

Tribuna – O senhor está conseguindo convencer a população de que vai ser possível resgatar os serviços públicos que são prestados pela prefeitura?
ACM Neto
– Acho que sim. A nossa campanha tem três pilares fundamentais. O primeiro pilar é a necessidade de arrumar a casa. O segundo é de chegar junto; é de ter um prefeito que atue próximo aos problemas e tenha um acompanhamento direto de tudo que vem acontecendo na cidade; e o terceiro é de só prometer o que a gente pode cumprir. Eu estou sendo muito cuidadoso com as propostas apresentadas em meu programa eleitoral exatamente para ter tudo isso calçado na viabilidade, na possibilidade de tirar do papel e de implementar quando eleito eu for. Por isso mesmo é que eu acho que nós conseguimos mostrar que a cidade é viável, é governável, e que ela pode andar com as próprias pernas. No nosso plano emergencial, o que queremos fazer nos primeiros seis meses vamos fazer com os recursos que já existem hoje na prefeitura, exatamente revendo contratos, diminuindo os cargos de confiança, evitando o desperdício, fazendo sobrar. Com o que a prefeitura já arrecada hoje dá para custear, dá para alcançar e atender as necessidades emergenciais. E é claro que com um planejamento, com uma gestão mais eficiente, com uma eficientização da receita da prefeitura e com o crescimento econômico que nós queremos induzir, aí a prefeitura vai ter condições para ampliar o seu investimento próprio e realizar as obras estruturantes que a cidade tanto precisa.

Tribuna – Agora candidato, o senhor cada vez mais visita a cidade e cada vez mais se integra à sociedade. O que mais lhe choca nesta Salvador de hoje?
ACM Neto
 – O que mais me choca é ver que parcela da população perdeu um pouco do seu próprio compromisso com a cidade. Isso deriva de quê? Isso deriva da falta de liderança, da falta de exemplos por parte dos governantes, daqueles que lideram a nossa cidade. Então, quando você uma pessoa jogar papel na rua, quando você uma pessoa estacionar em local impróprio. Tudo isso mostra que a precisamos fazer um trabalho que não é apenas do prefeito, mas tem que ser de mobilização de toda a sociedade, de conscientização de todos de que tem que haver um esforço coletivo de recuperação da cidade, de devolver o respeito à cidade, de fazer Salvador voltar a brilhar. Os problemas são muitos, agora esses problemas não podem levar ao desencanto, e eu sinto que parte da população está desencantada. Então, o que vamos precisar fazer? Motivar as pessoas e fazer com que elas possam continuar tendo esperança no futuro de Salvador.

Tribuna – Que garantia a população vai ter que suas propostas para destravar o trânsito serão cumpridas?
ACM Neto
 – Nós temos propostas a curto, a médio e longo prazo. A curto prazo, nós precisamos organizar a cidade, enfrentar esse problema da falta de estacionamentos, que leva as pessoas a pararem o carro em local proibido e a comprometerem as vias de trânsito nas ruas de Salvador. Nós temos que implantar um sistema de semáforos inteligentes, interligados a uma central de controle. Esses semáforos vão agir em tempo real. O ganho que nós vamos dar de fluidez é de 30%, ou seja, vamos aumentar a velocidade média de deslocamento nessas vias. Mas também temos que ajustar as ações e inteligência de tràfego com a melhoria da qualidade do serviço de transporte público, e é claro que a prioridade deve ser o transporte coletivo. Com isso, nós temos que aproveitar a licitação das linhas de ônibus para garantir pelo menos a implementação de 40 km de corredores exclusivos, a renovação completa da frota em quatro anos em 100%, mais segurança para os ônibus, seja para motorista, cobrador e passageiro, garantir uma reorganização das linhas. As linhas de ônibus representam uma cidade que não é mais a Salvador do presente, mas a Salvador do passado, com uma geografia diferente da atual. Então, alguns trajetos que você poderia fazer em trinta minutos está se fazendo em três horas, exatamente por essa necessidade de reorganização das linhas de ônibus. Além disso, todo esse sistema tem que vir integrado à complementação do metrô, funcionamento dos seis quilômetros já concluídos entre a Estação da Lapa e a Rótula do Abacaxi e a complementação da linha que leva a Pirajá, e eu defendo que vá até Cajazeiras. Acho inclusive que aí é a maior demanda, é onde existe maior inteligência para o metrô de Salvador, mais até do que a Paralela. E, por último, a construção da linha 2, exatamente trazendo o metrô de Lauro de Freitas, cortando a Paralela, Bonocô e se interligando à linha 1. Quando nós tivermos a conclusão de todo o sistema do metrô, se o trânsito já vier mais organizado e se o transporte dos ônibus melhorar a qualidade, a fluidez, o tempo de deslocamento e o serviço à comunidade, certamente teremos uma parte dos problemas do trânsito superada.

Tribuna – Como vai ser a relação do governo do estado e do governo federal com uma eventual administração do Democratas, já que muitas dessas obras de grande porte virão das parcerias?
ACM Neto
 – Muitas dessas obras já estão carimbadas e garantidas e vão acontecer independentemente se o prefeito é ACM Neto, é Nelson Pelegrino ou Hamilton Assis, do PSOL. Não interessa o partido do prefeito. As obras que, por exemplo, compõem o PAC da mobilidade e o metrô estão dentro dessas obras, estão asseguradas, contratadas. E eu quero aqui fazer um registro: o governador Jaques Wagner e a presidente Dilma Rousseff – embora tenham um candidato de seu partido e é legitimo que tenham –, hora nenhuma eles vieram a público dizer que vão perseguir Salvador se o prefeito for do Democratas, que é o meu partido. Hora nenhuma isso aconteceu. Vou dizer mais: se eleito prefeito, eu vou procurar o governador, vou procurar a presidente e vou deixar claro que a disputa acabou e que o palanque foi desfeito. O prefeito ACM Neto só vai se preocupar com eleições em 2016, e vai querer fazer um trabalho de colaboração, um trabalho harmônico e um trabalho inteligente com o governador e com a presidente. E não haverá nenhum problema que eles possam capitalizar politicamente e eleitoralmente os investimentos que façam em Salvador. Eu quero ser, inclusive, um facilitador pra que esses investimentos possam alcançar uma quantidade cada vez maior de pessoas na cidade, portanto, da minha parte não haverá nenhuma dificuldade de manter uma boa relação com as duas esferas de governo.

Tribuna – E a orla? O que as pessoas terão de mudança e quando isso vai acontecer?
ACM Neto
 – Ações de médio prazo e de curto prazo. Ações de curto prazo: iluminação, presença da Guarda Municipal, com câmera e operação de videomonitoramento, limpeza e organização do trânsito da orla de Salvador. Essas cinco são ações de curtíssimo prazo que podem ser feitas apenas com a determinação, com pulso firme e com a presença da prefeitura. Você já vai ter um ambiente muito mais agradável, muito mais limpo e seguro para as pessoas desfrutarem. Feito isso, estão criadas as condições para criarmos um projeto de recuperação e requalificação da Orla de Salvador. Na nossa proposta de governo, esse projeto está contemplado em três braços: a orla atlântica, que vai do Farol da Barra (na verdade do Porto da Barra) até a divisa com Lauro de Freitas na praia de Ipitanga, a orla da Ribeira, na Península Itapagipana, e a orla do Subúrbio. Nessa última, nós queremos explorar o potencial do turismo náutico da Baía de Todos os Santos e fazer a integração do Subúrbio Ferroviário com as ilhas para tirar proveito econômico dessa orla do Subúrbio que não tem proveito econômico hoje. Na orla da Península Itapagipana, nós temos a proposta de implantar uma operação urbana consorciada que implica atrair recursos da iniciativa privada e intervir na área de infraestrutura de transporte e de trânsito, para garantir mobilidade, e de requalificação imobiliária. O empresário vai garantir os investimentos que a prefeitura sozinha não pode fazer por não ter recursos, e por outro lado ele vai ganhar na valorização de terrenos e imobiliária naquela região que tem, em minha opinião, um apelo turístico importantíssimo, hoje não aproveitado. Na orla atlântica, a ideia é fazer um projeto de ampliação do calçadão. Nós já iniciamos um estudo de viabilidade e em diversas áreas dessa orla é possível ampliar o calçadão. Eu começaria pelo Farol da Barra até Ondina, sendo esse o primeiro espaço para intervenção de ampliação do calçadão. A ideia é, sempre que houver espaço físico, ampliar o calçadão. Claro que vai ter também de mudar o trânsito, e os estudos de impacto sobre o trânsito já estão sendo feitos. Com isso nós vamos ter uma iluminação diferenciada para gerar aproveitamento não só durante o dia, mas também à noite, como acontece no Rio de Janeiro. Nós vamos ter um projeto de aproveitamento da retro praia. A retro praia de Salvador não está sendo aproveitada. Quando olhamos, por exemplo, para a área do Aeroclube até a praia de Piatã, temos uma retro praia lindíssima, mas que está sendo ocupada por alguns imóveis fechados, outros com uma estrutura física comprometida. Devemos aproveitar isso fomentando o comércio, fomentando hotéis, bares, restaurantes e comércio de rua, inclusive com o incentivo fiscal e tributário, que faz parte de nossa ideia de recuperação da orla atlântica de Salvador.

Tribuna – Como viabilizar suas propostas? Qual a fórmula para gerir Salvador com a dificuldade de orçamento?
ACM Neto 
– Para as ações urgentes e imediatas, nós vamos economizar com os recursos já existentes hoje. Nós vamos melhorar a qualidade da despesa pública, revendo contratos, diminuindo os cargos de confiança, evitando o desperdício e fazendo sobrar com o que existe hoje, fazendo atender as medidas emergenciais da cidade. Vamos começar logo no primeiro dia a operação tapa-buracos, limpeza urbana, melhoria na iluminação, Guarda Municipal trabalhando, câmera de videomonitoramento instalada, implantação do sistema de organização do trânsito. Essas são ações imediatas e serão feitas com os recursos que existem hoje. Agora, quais serão nossos esforços para melhorar a arrecadação de Salvador? Primeiro modernizar a Secretaria da Fazenda, que tem uma estrutura ainda da década de 80. Nós temos que informatizar a Secretaria da Fazenda, fazer concurso para auditor fiscal, ampliar a aplicação da nota fiscal eletrônica do ISS. Ela começou a ser implementada pela atual gestão, mas precisa virar uma cultura na cidade. Para ela virar uma cultura, vamos implantar o Programa Nota Fiscal Cidadã, onde todo cidadão vai ser estimulado a pedir a nota fiscal do ISS e aquele que reunir notas fiscais do ISS vai ter abatimento em seu IPTU. Nós vamos fazer um censo da dívida ativa. A dívida ativa da cidade gira em torno de R$9 bilhões, porém existem créditos que são recuperáveis, que podem ser revertidos em recursos para os cofres da prefeitura e outros que são podres. Fazer um censo da dívida ativa é fundamental, e dotar a procuradoria do município de condições para buscar a recuperação desses recursos que são saudáveis e podem ser recuperados. Nós vamos ter uma equipe qualificada, de técnicos preparados para elaborar bons projetos, aqueles que podem ser levados aos organismos de financiamento externo, e Salvador ainda tem capacidade de contrair empréstimo. Não faz isso porque não tem projeto. Nós vamos bater na porta do Banco Mundial em Washigthon e vamos buscar recursos, que são com financiamento de longuíssimo prazo e que não geram impacto no orçamento da prefeitura e que vão viabilizar obras de infraestrutura, de mobilidade, entre outras. Nós vamos buscar recursos também em Brasília, porque existem recursos, projetos, muitos deles independente de o prefeito ser do partido A ou B, mas é preciso preparar o projeto e levar. Além disso, nós vamos montar um fundo que vai dar suporte, que vai dar lastro para parcerias público-privadas. O município de Salvador tem alguns ativos, inclusive terrenos em áreas valiosíssimas. Uma parte pequena desses ativos queremos destinar para reduzir o déficit previdenciário, hoje algo em torno de R$170 milhões. A outra parte eu quero montar um fundo de PPP e vou atrair o capital privado para investir em obras estruturantes. Vamos também desenvolver duas operações urbanas consorciadas, uma a que eu já citei, que é a de requalificação da área da Península Itapagipana, e a outra exatamente de recuperação na Salvador antiga, que tem o Centro Histórico como seu coração principal. Por último, eu tenho a ideia e estou apresentando a ideia de criação de uma agência de fomento municipal que vai ter a responsabilidade de atrair, de buscar e capitalizar todos esses investimentos e recursos que hoje estão disponíveis no Brasil e no mundo.

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