O Povo: Tese de candidatura própria perde força no PSDB

Lilian Venturini

19 de junho de 2012 | 10h58

Por O Povo

A tese da candidatura própria do PSDB à Prefeitura de Fortaleza – que até pouco tempo atrás era tida como favas contadas – começa a ser reavaliada por alguns setores do partido. Internamente, há quem entenda que se Moroni Torgan (DEM) for lançado na disputa, o ideal para a sigla tucana é amarrar uma aliança com os Democratas e negociar a cabeça de chapa. Assim, ficaria aberta a chance de o PSDB ficar com o posto de vice.

O deputado estadual João Jaime (PSDB) confirmou ao O POVO que a hipótese tem sido ponderada. “Alguns membros do partido estão avaliando essa questão da coligação. Depende se Moroni vai topar ser candidato. O contato com ele tem sido via telefone, mas chega um dia em que a gente vai sentar e resolver. Eu diria que tudo pode acontecer”, afirmou o parlamentar, que é um dos mais ligados ao ex-senador Tasso Jereissati (PSDB).

Em linha semelhante, o ex-governador do Ceará e empresário tucano Maia Júnior chamou a atenção para a necessidade de tempo de televisão do PSDB, como forma de viabilizar a candidatura. Sozinhos, os tucanos têm 2 minutos e 26 segundos na propaganda televisiva. Em uma possível aliança, o DEM incrementaria o espaço com pouco mais de 2 minutos.

A hipótese de ceder a vaga de protagonista da disputa para outra legenda, no entanto, é refutada com veemência por outros grupos no PSDB. “Se não tivermos candidato próprio, pode escrever, eu saio do partido”, ameaçou, ao O POVO, o deputado estadual Fernando Hugo.

O presidente estadual da sigla, Marcos Cals – cujo nome é o mais cotado para a briga pela Prefeitura – reafirmou que vai insistir na ideia de cada partido de oposição lançar um candidato, com vistas à união em um suposto segundo turno.

Do lado do DEM, o chefe municipal do partido, Robinson de Castro, disse que Moroni só se lançaria na empreitada com uma aliança que o respaldasse. Segundo ele, a situação será definida até o fim desta semana. Moroni encontra-se em Portugal e só deverá retornar a Fortaleza na última semana de junho.

Chapa sangue puro. Caso aposte na candidatura própria, o PSDB terá de decidir entre, pelo menos, dois nomes, na convenção marcada para o próximo dia 30. Além de Marcos Cals, coloca-se na disputa um tucano com pouco mais de dois anos de filiação: o coordenador da ONG Instituto Vida, João Mota. Ele tem criticado o perfil de Cals, ao afirmar que o tucano “não conhece as entranhas da cidade”.

Mota disse que tem se articulado com os delegados que, no dia da convenção, decidirão o futuro da sigla. Cals disse ver a situação com naturalidade e disse que não se opõe à iniciativa do colega, embora tenha refutado as críticas.

A ideia do PSDB é aguardar as próximas movimentações políticas para decidir seu destino. O partido afirma que a decisão final só sairá no dia da convenção, 30 de junho, mas o DEM diz querer resolver o impasse ainda nesta semana.

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