O Globo: PSOL expulsa candidato ligado a milícia no Rio

Lilian Venturini

06 de setembro de 2012 | 12h03

Por O Globo

RIO – O candidato do PSOL à prefeitura do Rio, Marcelo Freixo, disse nesta quarta-feira, em debate realizado pela RedeTV! e pelo jornal “Folha de S.Paulo”, que seu partido expulsou o candidato a vereador Berg Nordestino, que é citado no relatório final da CPI das Milícias, presidido por ele na Assembleia Legislativa.

Freixo disse que o partido descobriu com a ajuda da Secretaria de Segurança Pública que Berg, que tem o número 50.004 na campanha, é “Rosenberg”, dono de um escritório onde eram negociados terrenos irregulares da milícia da Praça Seca, na Zona Oeste do Rio. Ele aparece no relatório da CPI entre as páginas 150 e 152.

Segundo o candidato, tudo leva a crer que Berg era um infiltrado da milícia do ex-vereador Luiz André Ferreira da Silva, o Deco, em seu partido.

— Não havia nada na ficha criminal dele na hora da inscrição da candidatura. No relatório da CPI, ele é citado e não indiciado. Não havia como ligar uma pessoa a outra — disse Freixo.

— Desconfiamos dele há duas semanas e pedimos uma investigação na Secretaria de Segurança. Hoje confirmamos. Berg vai ter direito de defesa, é claro, mas foi expulso do partido hoje, e nós estamos encaminhando relatório ao TRE para pedir a suspensão da candidatura dele.

Durante o debate, a presidente estadual do PSOL, Janira Rocha, disse que o partido “tomou todos os cuidados”, mas errou.

— Pesquisamos todas as fichas de inscrição e tomamos todos os cuidados, mas acabou passando. Freixo não tinha como saber.

O tema das milícias voltou a ser dominante no terceiro bloco, quando Freixo perguntou ao prefeito Eduardo Paes, candidato à reeleição pelo PMDB, quem estava presente e qual era a pauta da reunião que ele fez em 2009 com milicianos na prefeitura.

Paes classificou a pergunta como um “misto de leviandade com desespero” e afirmou que não pede “certificados de antecedentes criminais” às pessoas que recebe em seu gabinete.

— Nem eu nem o senhor. Se até o seu partido aceitou um miliciano, não sou eu que vou saber quem é miliciano ou não. Não tenho relação com miliciano. Da mesma maneira que seu partido tem miliciano, o senhor não deve ficar insinuando que outros têm esse tipo de relação — afirmou Paes.

— Não estou insinuando, estou afirmando — rebateu Freixo.

— A reunião foi com donos de cooperativas de vans. Foi para decidir a forma de licitação. O senhor não fez licitações individuais, como recomendava a CPI. Só fez depois de reportagem no “Fantástico”. Fez acordo com cooperativas dominadas pela milícia — acrescentou, citando nomes de milicianos que teriam participado da reunião com Paes e que seriam conhecidos do chefe da Casa Civil (Pedro Paulo).

— É diferente um indiciado de um citado (no relatório).

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