O Globo: No Estado do Rio, 5 campanhas entre as 22 mais caras do Brasil

Lilian Venturini

19 de setembro de 2012 | 12h12

Por O Globo

RIO – No estado do Rio, cinco campanhas figuram entre as 22 mais caras do país. Além da capital, na mira dos candidatos a prefeito que mais gastaram nesses dois meses de campanha estão os municípios de São Gonçalo, na Região Metropolitana, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e Niterói.

A lista fluminense é encabeçada pelo atual prefeito e candidato à reeleição, Eduardo Paes (PMDB), com R$ 3,6 milhões em despesas de campanha, 8º lugar no ranking do Brasil. Em seguida, aparece o deputado federal Rodrigo Maia (DEM), que já aplicou R$ 2,4 milhões na disputa eleitoral pela prefeitura da capital.

Os gastos que mais chamam atenção, no entanto, estão fora da capital. A deputada estadual Graça Matos (PMDB) desembolsou R$ 2,3 milhões em território gonçalense. É a 13ª campanha mais cara do Brasil, de acordo com dados da segunda parcial das contas dos candidatos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre 6 de julho e 6 de setembro.

São Gonçalo é o segundo maior colégio eleitoral do Estado do Rio, o que em tese justificaria gasto maior com a campanha. Mas é também um dos mais pobres. O município tem uma renda domiciliar per capita de apenas R$ 572. Jardim Catarina, bairro de São Gonçalo, é considerado o maior loteamento da América Latina e um dos mais violentos do Estado do Rio.

Outro município que se destaca na lista de campanhas mais caras é Duque de Caxias. Washington Reis (PMDB) investiu mais de R$ 1,7 milhão para tentar derrotar seu inimigo histórico, José Camilo Zito (PP), atual prefeito da cidade. Caxias tem uma renda per capita ainda menor do que São Gonçalo, de apenas R$ 498.

Com uma realidade bem distinta dos outros dois municípios está Niterói. Na cidade, a campanha de Sergio Zveiter, a maior do PSD no país, já desembolsou R$ 1,6 milhão no pleito. O município tem renda per capita de R$ 1.700 — maior que a do Rio de Janeiro, de R$ 1.204 . Em Niterói, 89,8% dos domicílios são ligados à rede geral de saneamento.

Analista: recursos públicos

O cientista político da Universidade Federal Fluminense (UFF) Eurico Figueiredo defende o financiamento público de campanha para solucionar problemas das distorções nos gastos dos partidos:

— O Brasil não é pobre. O maior problema é a injustiça social. O financiamento público é essencial para equilibrar a distribuição de recursos entre os candidatos. E cada partido recebe uma fatia proporcional ao seu êxito eleitoral.

Para além do estado do Rio, seis campanhas em território paulista estão entre as mais caras do país. Os dois maiores gastos são dos candidatos Fernando Haddad (PT), com R$ 16,4 milhões; e José Serra (PSDB), com R$ 8,1 milhões. Em terceiro lugar no estado aparece Gabriel Chalita (PMDB), com despesas de R$ 3,7 milhões. Outros municípios do Estado de São Paulo também aparecem na lista, como Campinas, Guarulhos e São Bernardo do Campo.

Na região Nordeste, estão sete das campanhas mais dispendiosas do Brasil. É o caso dos R$ 4,67 milhões investidos pelo PSB na campanha de Roberto Cláudio para prefeito de Fortaleza. É uma das maiores apostas do governador pernambucano Eduardo Campos para o seu partido.

Também na capital cearense, Elmano de Freitas (PT) já fez despesas de R$ 2,8 milhões. É o segundo maior gasto do partido nessas eleições. Já em Salvador, o candidato Pelegrino desembolsou R$ 2,42 milhões na corrida eleitoral, o terceiro maior gasto do PT.

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