o Globo: Cobrada pelo PT, Dilma não define presença em campanhas

Lilian Venturini

10 de agosto de 2012 | 11h05

Por O Globo

BRASÍLIA e SÃO PAULO – Mais preocupada com a onda de greves do funcionalismo comandada pela CUT em todo país, a presidente Dilma Rousseff abriu espaço em sua agenda, nesta quinta-feira, para receber o presidente nacional do PT, Rui Falcão, e ouvir dele as cobranças dos candidatos petistas, que reclamam sua presença nas disputadas campanhas municipais. Ao contrário do ex-presidente Lula, que já começou a gravar com os candidatos e anunciou que viajará a pelo menos 17 capitais, até agora a única definição é que Dilma fará gravações e já está tendo sua imagem veiculada pela campanha de Patrus Ananias, candidato a prefeito de Belo Horizonte, capital de seu estado natal.

Por meio da assessoria, Rui Falcão informou que a agenda do encontro com Dilma foi “atualização de conjuntura”. Mas, na véspera, depois de passar a tarde reunido com o senador Humberto Costa (PT-PE), candidato do PT à prefeitura de Recife, Falcão anunciou que se reuniria com Dilma e Lula para definir uma agenda de viagens e gravações de apoio deles aos candidatos petistas.

A participação da presidente na campanha, contudo, parece não ter avanços, pois, até o fim da tarde desta quinta-feira, candidatos petistas procurados pelo GLOBO não tinham retorno do encontro ocorrido pela manhã no Palácio do Planalto.

Diante do crescimento de Geraldo Júlio (PSB), candidato do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o senador Humberto Costa faz apelos desesperados por pelo menos uma declaração pública de Dilma, para responder ao jingle em que ele insinua ter o apoio da presidente.

— Vamos traçar, com as assessorias da presidenta e de Lula uma agenda de campanha. Pela nossa definição, Lula irá ao maior número possível de capitais e cidades estratégicas. Em Recife, o candidato dos dois é Humberto Costa, não tem dúvida nenhuma — disse Rui Falcão antes do encontro com a presidente, sem arriscar se o mesmo aconteceria com Dilma, que só quer entrar na campanha no segundo turno para evitar bola dividida com aliados.

O senador Wellington Dias (PT-PE), que entrou na disputa pela prefeitura de Teresina (PI) a pedido de Dilma, disse que, até a última terça-feira, ela ainda estava renitente sobre sua entrada na campanha.

— Ela ainda não tinha tirado uma posição, mas isso não quer dizer que ela não vá. Sobre a preferência por Belo Horizonte, claro que ela tem esse lado particular que a gente tem que respeitar — disse Wellington Dias.

O ex-presidente Lula começou a acertar, nesta quinta-feira, com a direção do PT sua maratona de viagens para percorrer o país em campanhas municipais do partido e da base aliada. A proposta inicial trata da participação de Lula em dez capitais, incluindo o Rio, mas a ideia é que o ex-presidente cumpra agenda nas 17 capitais onde a legenda tem candidato a prefeito. As viagens devem começar no fim do mês e se concentrar em setembro. Nas duas próximas semanas, ele reserva tempo para gravações de rádio e TV para o horário eleitoral.

Na quarta-feira, Lula fez a primeira gravação para o ex-ministro Fernando Haddad, escolhido pessoalmente por ele para disputar a prefeitura de São Paulo. Os próximos destinos deverão ser Belo Horizonte e Recife. Outra prioridade é o Rio de Janeiro. As outras capitais discutidas na quinta-feira entre os assessores de Lula e a direção petista são Porto Alegre, Goiânia, Cuiabá, Salvador, Fortaleza e Manaus.

— Mas queremos chegar às 17 capitais, além de outras cidades — explica Paulo Frateschi, dirigente nacional do PT responsável pela coordenação das campanhas eleitorais.

Os petistas tentam criar agenda que não sobrecarregue Lula, liberado pelos médicos a participar das campanhas.

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