Gazeta do Povo: Ratinho Júnior e Fruet têm propostas genéricas para o transporte coletivo

Lilian Venturini

17 de outubro de 2012 | 11h18

Por Gazeta do Povo

Independentemente do resultado das urnas no próximo dia 28, o novo prefeito vai ter de focar boa parte das energias na busca por soluções que melhorem a eficiência do sistema de transporte público da capital. E, mais que isso, que sirvam como incentivo para as pessoas deixarem o carro em casa. Conhecida pelo inovador sistema de transporte coletivo, criado nos anos 1970, Curitiba acabou se tornando uma das cidades brasileiras com mais carros por habitante. Segundo estudo recente do IBGE, há praticamente um veículo para cada morador da capital.

Para entender o que o próximo prefeito pretende fazer para atrair usuários e requalificar o sistema público de transporte, a Gazeta do Povo selecionou as propostas que estão nos planos de governo dos dois candidatos à prefeitura de Curitiba e ouviu especialistas no assunto. A conclusão deles é que as proposições para os próximos anos são feitas de maneira genérica e, sozinhas, não resolveriam os problemas da cidade.

A falta de prioridades nas propostas dos prefeituráveis foi o que mais chamou a atenção do engenheiro Garrone Reck, professor da UFPR. Na opinião dele, os candidatos geralmente têm receio de fazer propostas que mexam com o uso de carros e motos, porque isso afastaria os eleitores. “O modelo do carro está falido, mas ainda é preciso pensar nele. O processo de mudança é gradual”, aponta.

Para o urbanista e professor da UFPR Luís Henrique Fragomeni o transporte coletivo na capital ainda é pensado de maneira muito curitibana. Ele afirma que os investimentos na área precisam deixar de ser centralizados apenas na capital para viabilizar um plano de mobilidade que integre de maneira mais eficaz os municípios próximos.

Segundo Fragomeni, se o habitante da região metropolitana ou dos bairros que fazem divisa com os municípios não dispor de uma boa opção em transporte coletivo, vai comprar um carro. E essa quantidade de veículos vai congestionar a circulação dos ônibus e gerar um ciclo prejudicial ao trânsito e difícil de ser combatido.

Soluções

Um exemplo de proposta que poderia funcionar, de acordo com Reck, seria diminuir as vagas para carros e transferir o estacionamento para locais subterrâneos, liberando mais espaço para a circulação nas vias. Outro ponto que deveria ser melhor trabalhado, de acordo com Fragomeni, é a ideia de “ônibus-tobogã”, que ultrapassariam cruzamentos em outro nível que o dos carros, de modo a garantir maior fluidez.

O arquiteto cita ainda o conceito de reunir informação e mobilidade. A ideia, segundo ele, seria disponibilizar uma ferramenta com informações da rede de transporte que ajudariam os usuários a escolher a melhor forma de deslocamento a partir do cruzamento de dados de endereço, rota, tipo de transporte, grau de poluição e gastos envolvidos.

As sugestões fazem parte de um rol de ideias que não foram propostas pelos candidatos, mas que, na avaliação dos especialistas consultados, ajudariam a melhorar o sistema e serviriam como incentivo para o motorista deixar o carro de lado e optar pelo transporte coletivo. “Mas isso só vai acontecer de verdade quando o transporte público deixar de ser inseguro e desconfortável, e para isso tem de pensar no conjunto todo, não adianta só colocar ar-condicionado nos ônibus”, enfatiza Fragomeni.

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