Gazeta do Povo: Propostas de candidatos para segurança não atacam diretamente o problema

Lilian Venturini

25 de outubro de 2012 | 10h38

Por Gazeta do Povo

O combate à criminalidade será um dos principais desafios do próximo prefeito de Curitiba. Em 2011, foram 685 homicídios somente nos limites do município – uma taxa de 38,8 assassinatos para cada 100 mil habitantes, quase quatro vezes acima do índice considerável como tolerável pela ONU. Apesar de muitas das atribuições relativas à segurança serem do estado e da União, a prefeitura pode colaborar com a redução desses índices.

As principais propostas dos dois candidatos à prefeitura de Curitiba, Ratinho Jr. (PSC) e Gustavo Fruet (PDT), para a área envolvem o aumento no número de câmeras de segurança, melhorias na estrutura e ampliação do efetivo da Guarda Municipal e a melhora na iluminação das vias públicas. Ratinho Jr. propõe também a criação de uma secretaria de Segurança Pública, unindo as pastas de Defesa Social, Antidrogas e Trânsito.

Para o sociólogo e professor da PUCPR Lindomar Bonetti, esses investimentos são necessários, mas não atacam diretamente o problema. “Do ponto de vista da solução do problema, isso não resolve. São ações necessárias, mas exigem outras ações. O problema se resolve no combate à pobreza, na melhora da educação”, afirma.

Bonetti destaca a necessidade de conjugar as ações entre o governo do estado e a prefeitura, assim como um alinhamento nas ações de órgãos distintos da prefeitura. O professor cita como um exemplo positivo a atuação das Unidades Paraná Seguro (UPS). Para ele, apesar dessas operações terem mostrado alguns defeitos, a experiência tem sido positiva.

Por sua vez, o professor André Giamberardino, do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos da UFPR, avalia que existe um risco de que, por restrições orçamentárias, as ações que envolvem equipamentos – como câmetas e iluminação – privilegiem apenas algumas partes da cidade. “Você não tem recursos para colocar câmeras ou iluminação na cidade inteira. Em geral, os investimentos nessas áreas privilegiam os bairros de classe mais alta, e quem mais precisa desse tipo de política pública são os bairros da periferia”, comenta.

Ausências

Giamberardino critica também a ausência da questão dos direitos humanos no discurso dos candidatos, quando falam da Guarda Municipal. “É preciso uma maior capacitação na área dos direitos humanos. A gente recebe denúncias de abusos e desrespeito aos direitos humanos da Guarda Municipal, principalmente com moradores de rua.” Para ele, os discursos dos candidatos reforçam a ideia de militarização do efetivo – caminho, em sua opinião, que apenas piora o problema da violência na cidade.

Outra ausência sentida pelo professor nos programas dos candidatos é a de uma assistência aos que saem da prisão. “Ninguém falou na importância da atuação do município na assistência ao egresso. O município pode agir nessa área, criando patronatos, por exemplo. É uma medida que colabora na sua reinserção social. Isso é muito mais eficaz do que a questão do policiamento”, afirma.

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