Gazeta do Povo: “Não posso abrir mão do meu pai”, diz Ratinho Junior

Lilian Venturini

12 de setembro de 2012 | 11h53

Por Gazeta do Povo

O candidado do PSC à prefeitura de Curitiba, Ratinho Jr., foi o segundo entrevistado na série de sabatinas da Gazeta do Povo. Falou da participação de seu pai na campanha, de projetos polêmicos que votou como deputado e disse que sua principal meta se for eleito é resgatar a “genialidade” que a cidade perdeu.

Na semana passada, a Justiça Eleitoral proibiu seu pai [o apresentador Ratinho] de participar de seus comícios. Ele recebeu a liminar, mas mesmo assim subiu no palanque e discursou. O sr. não acha que é um precedente ruim que seu principal cabo eleitoral descumpra uma determinação judicial? O cumprimento de decisões da Justiça é obrigatório para qualquer administrador público…

No entendimento da nossa assessoria jurídica, ele não descumpriu a liminar, porque ela dizia que o “apresentador Ratinho” não poderia estar presente no comício. Mas não se referia ao “pai”. Ele subiu no palanque como pai. Era apenas um comício político, não era showmício.

Mas juridicamente a figura do “apresentador” e do “pai” são uma mesma pessoa. O sr. não vê isso como um precedente ruim? Como prefeito, o sr. vai cumprir determinações judiciais?

Vou cumprir todas as determinações e todos os contratos. Mas eu posso questionar liminares juridicamente. [No caso do discurso de Ratinho], fui avalizado por uma equipe jurídica. Eu não posso abrir mão do meu pai. O papel dele é um papel de pai, avalizando o filho que ele criou. O Luciano [Ducci] tem o governador do lado e o Gustavo [Fruet] tem os ministros do lado dele. Eu não posso ter o meu pai?

No discurso, seu pai citou que haveria “cuecas de seda” que estariam com receio de sua eleição. E que esse medo seria de que o sr. abrisse a caixa-preta da prefeitura. Quem são esses “cuecas de seda”?

Aí você vai ter que perguntar para ele [o pai].

E qual é a caixa-preta da prefeitura?

Eu acho que são várias. Você pega o ICI [Instituto Curitiba de Informática], a Urbs, o valor dos carros alugados… Tudo isso são caixas-pretas que devem ser discutidas. São setores que temos que auditar. Vou fazer auditorias em todos esses órgãos e em todos os contratos a partir de outubro de 2011 ou nos últimos seis meses. Temos que fazer auditoria inclusive na pavimentação, para ver se o centímetro de asfalto colocado foi o solicitado.

Uma das principais acusações dos outros candidatos é quanto à sua inexperiência…

Essa acusação é porque eles não têm o que falar de mim. Eles não podem falar que eu sou ladrão, porque não sou. Não podem falar que eu respondo a processo, porque não respondo. Eu não tenho mancha na minha vida pública. Então, o que eles pegam? Ah, ele é jovem. Começa com um preconceito imbecil, horroroso. Temos de tomar cuidado com toda pessoa preconceituosa: quando ela é preconceituosa com a idade, ela é preconceituosa com o negro, com o jovem, com homossexual, com tudo. A gente tem que eliminar esse tipo de gente, combater esse tipo de gente da sociedade. Além disso, a experiência na política é muitas vezes sinônimo de safadeza. Você vê grandes exemplos de homens experientes que acabaram usando a experiência política em benefício próprio. O que as pessoas cobram do homem público é seriedade, é honradez, é caráter, é comprometimento. Eu acho que a minha formação política me dá tranquilidade de poder montar uma boa equipe para governar.

Mesmo sem ter exercido um cargo no Executivo?

Dos quatro [principais] candidatos, o que mais tem experiência em gestão sou eu. Da gestão empresarial para a gestão pública não muda muita coisa. Eu tenho experiência desde os meus 16 anos de idade, quando comecei a administrar uma emissora de rádio com 25 funcionários. Então isso é uma bobagem. Sou formado em Comunicação Social. Estudei Administração por dois anos. Sou pós-graduado em Direito do Estado pela Universidade Católica de Brasília. Tenho dois cursos pela Universidade Complutense de Madri, na Espanha: um sobre a reforma fiscal da Espanha e outro sobre a democracia ameaçada na América Latina. Tenho três mandatos como deputado. Tornei-me o líder de bancada mais jovem do Congresso Nacional. Fiz parte do Conselho Político da presidente Dilma Rousseff. Se for por currículo, não perco para nenhum deles.

Já tem os nomes da equipe de governo?

Isso tem que ser construído depois que se ganha a eleição. Eu tenho dito que vou fazer um governo e uma política de construção de pontes entre as pessoas de bem. Pra mim não interessa se a pessoa é ligada a esse ou aquele partido. Se for uma pessoa comprometida com a cidade, tem um histórico positivo, é uma pessoa que tem a contribuir com nossa cidade, nós vamos chamar. Essa tranquilidade, essa independência me dá essa autoridade de poder trazer os melhores técnicos.

Essa independência significa que, se o sr. for eleito, não vai apoiar ninguém em 2014?

Nós podemos nos comprometer com alguém em 2014.
Assim o sr. não vai perder a independência em relação aos partidos?

Não. Nós vamos apoiar aquela pessoa que vai nos ajudar a solucionar os problemas da cidade.

Mas o sr. não acha que isso pode rachar seu grupo, que vai ter gente de várias correntes? Isso não atrapalharia a gestão no meio do seu mandato?

Acho que não.

O sr. falou agora há pouco em combater as pessoas que têm preconceitos. Mas recentemente entrou numa polêmica em relação aos homossexuais. Primeiro falou que era contra o casamento gay, depois até apareceu uma liderança homossexual no seu programa dizendo que o senhor não tinha preconceito. Anteriormente, o sr. havia dito que não queria que suas filhas vissem dois homens se beijando. Isso não é preconceito?

Não. Eu acho que as pessoas têm o direito de serem felizes. Quando eu falo que sou contra o casamento gay, quero dizer que eu não sou contra a Igreja. Não posso ser contra a Igreja. O matrimônio quem decide é a Igreja.

Mas o casamento gay é uma questão civil.

Mas a união civil já existe. O problema é a polêmica que querem gerar polêmica em cima disso. Quando eu disse essa frase [sobre as filhas], há mais de dois anos, eu diferenciava a liberdade da libertinagem.

Mas um homem e uma mulher podem se beijar na rua.

Não da mesma forma. Eu não gostaria de ver um homem e uma mulher se agarrando em praça pública de uma maneira que eu me sentisse ofendido com minha filha de oito anos.

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