Estado de Minas: Lacerda e Patrus prestam contas dos gastos de campanha

Lilian Venturini

07 de agosto de 2012 | 11h04

Por Estado de Minas

Os dois principais candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte, o prefeito Marcio Lacerda (PSB) e o ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias (PT), já arrecadaram R$ 1,8 milhão para as suas campanhas. Enquanto isso, os gastos dos dois somam R$ 820 mil. Quem mais arrecadou foi o candidato do PSB, que declarou na primeira prestação de contas parcial R$ 1 milhão – dinheiro vindo de pessoas jurídicas e de outros candidatos ou comitês financeiros. Já o petista conseguiu R$ 897,5 mil, vindos de partidos políticos.

Os gastos de Marcio Lacerda também foram superiores aos de Patrus. O socialista declarou despesas de R$ 744.821,97, praticamente 10 vezes mais que os R$ 75.893,18 da campanha do petista. Na campanha de Lacerda, o maior gasto (R$ 286,1 mil) foi de serviços terceirizados, seguido por produção de programas de rádio ou televisão (R$ 281,5 mil). O candidato do PSB declarou ainda despesas com telemarketing (R$ 105 mil), locação de imóveis (R$ 32,2 mil) e de veículos (R$ 27 mil) e material de expediente (R$ 9,9 mil). Outros itens com menores valores foram alimentação e transporte ou deslocamento. Patrus gastou R$ 3,5 mil com transporte ou deslocamento, R$ 56,3 mil com locação de imóveis e R$ 15,9 com bens móveis.

Venceu ontem o prazo dado pela Justiça Eleitoral para que os candidatos divulgassem na internet as contas de campanha. Na primeira prestação de contas parcial, eles informam somente os valores e as destinações. Não precisam detalhar de onde veio ou dinheiro ou em que produto  ele foi gasto.

Drogas no alvo

Marcio Lacerda recebeu nessa segunda-feira, no comitê central da campanha, o apoio de 25 entidades que atuam na prevenção e no combate ao uso de drogas. Líderes religiosos e com atuação nesse segmento da saúde entregaram a ele um manifesto em que justificaram a sua opção política. “Juntos queremos colaborar para os avanços das políticas sobre drogas na nossa cidade. Queremos somar esforços, pois entendemos que o eficaz enfrentamento desse desafio exige articulação e tolerância. Exige que saibamos trabalhar juntos, cada um com seu olhar e sua responsabilidade, mas buscando o bem comum”, assinalou o documento.
Lacerda informou que a política aprovada pelo Conselho Municipal Antidrogas prevê ações de tratamento e prevenção envolvendo as três esferas de governo, com investimentos de R$ 15 milhões. O candidato considerou que em seu governo foram alcançados avanços, que incluem o aumento do número de consultórios de rua, a criação de leitos hospitalares especializados e a construção de centros de atenção psicossocial álcool e drogas (Caps-AD).

Depois de anunciar que pretende fazer a melhor política de prevenção de drogas do país, Lacerda considerou serem as comunidades terapêuticas uma das principais ferramentas de acolhimento dos usuários de drogas. “Mas vocês não imaginam a batalha que foi na PBH no ano passado”, afirmou o prefeito, referindo-se à resistência às comunidades terapêuticas. Sem citar diretamente o PT, mencionou “setores da PBH equivocados” que estariam confundindo o tratamento em comunidades terapêuticas com a internação nos antigos manicômios. “Isso é uma posição equivocada. Agora, se essas pessoas mantiverem essa rigidez e trabalharem contra a nossa política, teremos que afastá-las não necessariamente demitindo da PBH, mas tirando-as do cargo em que estão hoje”, disse o prefeito.

Participação Popular

O candidato do PT, Patrus Ananias, apelou ontem para a principal característica da gestão do seu adversário, o prefeito Marcio Lacerda (PSB), para prometer um governo centrado na participação popular. Lacerda é conhecido pelo perfil técnico e gerencial. Segundo o petista, a cultura da tecnocracia nas administrações vem do autoritarismo. O candidato recebeu ontem o apoio de ambientalistas e dos dissidentes do PSD, que obteve na Justiça o direito de continuar na chapa do PSB.

“A vida me ensinou que a democracia é eficaz. Muitas vezes, um pensamento autoritário quer fazer crer que o eficiente são os técnicos em gabinetes fechados decidindo. Penso que não é tecnocracia, mas a participação popular, a democracia participativa que abre novas perspectivas”, afirmou Patrus depois de dizer que a capital precisa de uma nova liderança. Um dos compromissos divulgados por Patrus que exigem participação popular é um projeto de mudança de cultura no trânsito. O petista quer transformar a capital em um lugar onde os pedestres tenham preferência sobre os carros. Em encontro com ambientalistas na Praça da Liberdade, o candidato propôs a recuperação da Lagoa da Pampulha em parceria com as cidades vizinhas onde se encontram as nascentes.

Patrus recebeu o apoio da ala do PSD ligada ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. O partido ganhou na Justiça a confirmação da coligação com Marcio Lacerda, decidida pelos integrantes de Belo Horizonte em convenção, mas o presidente da comissão interventora, Paulo Simão, que foi empenhar sua adesão ontem a Patrus, prometeu ir até o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para desfazer a aliança com Lacerda.

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