O que o caso Cachoeira tem a ver com transparência

fernandogallo

20 de abril de 2012 | 07h02

Já pediram propina ao senhor? E o senhor pagou?

Olha só, o que se pede são apoios políticos, para campanhas, que é uma coisa legitimada, oficializada e que várias empresas fazem. Se apoio projetos, faço doações, não é que depois vá ganhar [licitações para obras]. Mas posso estar pelo menos bem representado, tenho a oportunidade de ter informação dos futuros investimentos, das prioridades políticas. Por que megaempresas fazem doações a campanhas? Vão ter informação. Não é normal? Não é toma lá dá cá. Tem licitação.

 

Mais exemplar impossível a fala do dono da Delta Construções, Fernando Cavendish, que consta de entrevista publicada na edição desta quinta-feira do jornal Folha de S. Paulo. Exemplar apenas porque ilustra bem uma situação, bem dito.

Não vamos aqui discutir o suposto envolvimento do empreiteiro no caso Carlinhos Cachoeira, mas apenas ponderar o seguinte: quando as informações que deveriam ser públicas não o são, o empresariado, mesmo que não incorra em nenhum ilícito, paga para obtê-las.

(O assessor de comunicação e informação da Unesco para o Mercosul e Chile, Guilherme Canela, já tratou do tema nesta entrevista publicada pelo Estado)

Daí porque é importante que não apenas os governos, mas também os partidos políticos exerçam a maior transparência que puderem.

(Fernando Gallo)

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