Corrupção alimenta crise na zona do euro, diz ONG

fernandogallo

10 de junho de 2012 | 22h42

Reportagem publicada pela Agência Estado em 06/06.

Atente para o seguinte trecho:

“A Transparência Internacional também alertou para a falta de transparência no financiamento de grupos políticos e na questão de lobby. A organização afirma que 19 dos 25 países analisados ainda precisam regulamentar o lobby, enquanto muitas das regras em vigor são fracas e não obrigatórias.”

(Fernando Gallo)

 

Corrupção alimenta crise na zona do euro, diz Transparência Internacional

Álvaro Campos, da Agência Estado

BRUXELAS – A Transparência Internacional (TI) divulgou nesta quarta-feira, 6, um relatório no qual afirma que o fracasso de alguns governos da Europa em combater a corrupção ajudou a alimentar a crise da dívida na zona do euro. A organização aponta para uma forte correlação entre fraudes e déficits fiscais, citando países como Grécia, Portugal e Espanha como os mais corruptos na Europa Ocidental.

“As razões para a crise diferem de país para país, mas os países mais afetados pela crise também são aqueles onde a corrupção é mais difundida e onde existe uma falta de integridade no sistema público”, afirma Finn Heinrich, diretor de pesquisa da TI.

O relatório, intitulado “Dinheiro, Política e Poder: os Riscos da Corrupção na Europa”, será divulga oficialmente hoje e investiga mais de 300 instituições nacionais em 25 países para avaliar sua capacidade de combater a corrupção. Partidos políticos, empresas e os serviços públicos tiveram o pior desempenho, diz o documento, “e muitos governos não são suficientemente responsáveis com as finanças e os contratos públicos”. Esses contratos totalizam 1,8 trilhão de euros por ano na União Europeia.

A Grécia, que está no centro da crise da dívida e sofre intensa pressão de seus credores internacionais para reformar suas instituições e sua economia, ficou em primeiro lugar no quesito de prevalência de subornos, o que alimenta problemas fiscais mais amplos, como a evasão tributária, por exemplo.

A Transparência Internacional também alertou para a falta de transparência no financiamento de grupos políticos e na questão de lobby. A organização afirma que 19 dos 25 países analisados ainda precisam regulamentar o lobby, enquanto muitas das regras em vigor são fracas e não obrigatórias.

“Em toda a Europa, muitas instituições que definem uma democracia e permitem que um país detenha a corrupção são mais fracas do que o geralmente imaginado. Esse relatório levante questões problemáticas, em um período no qual uma liderança transparente é necessária, enquanto a Europa tenta resolver sua crise econômica”, afirma Cobus de Swardt, diretor-gerente da TI. As informações são da Dow Jones.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.