Burocracias dos Estados encarecem custos da transparência

fernandogallo

03 de maio de 2012 | 07h54

Acabo de voltar de Goiânia, onde fui fazer umas reportagens para o Estadão sobre o caso Carlinhos Cachoeira.

Para uma delas, precisei ir até a Junta Comercial goiana (Juceg) pedir duas certidões simples de registros de empresas.

Qual não foi a minha surpresa, acostumado que estou com o site da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), que fornece online, instantânea e gratuitamente, as certidões cadastrais de empresas – com todas as mudanças societárias feitas desde 1992 -, enfim, qual não foi a minha surpresa quando descobri que cada uma das simples certidões custava R$ 39,00!!

Repito: no caso paulista, para este tipo de certidão, não preciso sair da frente do computador e com alguns cliques obtenho os dados de que preciso.

Mas a burocracia goiana fica ainda mais cara.

Perguntei ao atendente quanto custaria uma certidão em que constassem todas as alterações societárias já feitas pela empresa.

Fui informado de que eu precisaria pagar outros R$ 39,00 para que a Juceg fizesse uma pesquisa para ver se havia mudanças societárias. E que cada documento informando cada uma das alterações societárias custaria mais R$ 39,00!!

Sei que além do dinheiro, perdi aproximadamente quatro horas na Juceg entre solicitações, pagamentos e entrega dos documentos.

Por que estou contando isso aqui?

Para que vocês tenham uma dimensão de como a burocracia torna quase inacessível ao cidadão o acesso a determinados tipos de documento, e como isso dificulta, por exemplo, a elaboração de reportagens importantes – com o perdão do cabotinismo – como essa aqui, em que mostro que o empresário para quem o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), disse ter vendido a casa onde foi preso Carlinhos Cachoeira nunca foi efetivamente o dono da casa.

Até onde sei, a Jucesp é a única Junta Comercial que fornece os dados instantânea e gratuitamente. Mas peço aos queridos leitores, às queridas leitoras de outros Estados, que me informem se há outros casos.

(Fernando Gallo)

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