Vitupérios contra os BRICs, ou não?

Estadão

10 de outubro de 2006 | 19h39

O site Prudent Bear, reduto dos pessimistas de plantão, lança seu olhar negativo sobre os BRICs (Brasil, Índia, Rússia e China). Em coluna de Martin Hutchinson,questiona-se a escolha pela Goldman Sachs dos quatro países como as potenciais novas fortalezas econômicas de 2050. “Existem outros mercados emergentes tão atraentes como esses quatro, e dois desses quatro não dão sinais de que vão se tornar alguma coisa interessante até 2050”. No caso, ele se refere ao Brasil e à Rússia.

Ele acha que a China, sim, deve ser incluída nas superpotências econômicas de 2050, mas aponta para o problema do sistema financeiro do país, da falta de liberdade política, do desequilíbrio entre zona rural e urbana e da protecionismo ndo resto do mundo.

“As contradições entre falta de liberdade política e a necessidade de assegurar o direito de propriedade estão cada vez mais agudas.”
A Índia também merece estar nos BRICs, diz Hutchinson.Mas ele aponta para o déficit público, de quase 10% do PIB (na realidade, está em 8%), e o déficit em conta corrente.

As chances de a Rússia se tornar um dos grandes pilares da economia mundial são “minúsculas”, diz o autor. “A população do país está diminuindo, na medida em que a miserável população masculina russa se entrega ao alcoolismo e se esquece de se reproduzir.”
Ele aponta também para a dependência excessiva da Rússia a exportações de gás e petróleo, e o fato de o país não respeitar direitos de propriedades e ter muita influência da KGB.

Para o Brasil, ele reserva sua piores críticas.
“Finalmente, nós temos o Brasil, hoje, como sempre, classificado como uma grande oportunidade do futuro, a mesma posição que o país ocupa desde aproximadamente 1500”. Daí ele continua lascando o pau.

Diz também que o crescimento da produtividade brasileira nos últimos 15 anos tem sido de 1% e aponta para a desigualdade de renda. “O Brasil, em 2050, será populoso, mas pobre, como hoje.” Ai, ai.

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