Um encontro com os mercadores da morte

Estadão

03 de novembro de 2007 | 22h17

No filme “Obrigado por fumar” o ator Aaron Eckhardt interpreta um lobista da indústria do cigarro, e costuma sair para fazer happy-hour com seus companheiros “mercadores da morte” – Maria Bello é um lobista da indústria de bebidas e David Koechner faz lobby para os fabricantes de armas.

Eu tive meu encontro com os mercadores da morte. Encarregada de fazer uma matéria para o caderno de economia, fui assistir a uma simulação de choque do petróleo no Ritz Carlton aqui em Washington. Salão lotado. Do meu lado, sentou-se um senhor muito simpático, de bigode, um pouco gordinho. “Ainda bem que você é magrinha e não estamos em um vôo da United”, ele brincou.

Mal sabia eu, mas “serendipity” estava fazendo sua mágica. (trata-se de uma palavra genial em inglês, que significa: fenômeno de encontrar coisas valiosas por acaso).

Sucede que eu estava apurando também uma matéria sobre os negadores do aquecimento global.

“Não existem provas científicas de que o CO2 provoca o aquecimento global”, disse-me o senhor, que faz lobby para a associação da indústria de gás. “E, além disso, os anos em que o planeta esteve mais quente foram os mais prósperos.”

Um jovem sentado na fileira da frente não se conteve. “É isso mesmo, não há provas científicas e o filme do Al Gore está cheio de erros”, interveio o fulano – vim a saber que era assessor de um deputado. “E, de mais a mais, as calotas polares de Marte também estão derretendo.”

O senhor gordinho e o jovem exaltado são neo-mercadores da morte – eles fazem lobby a favor do CO2. Ou quase isso.

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