Sumiram 100 milhões de mulheres

Estadão

05 de setembro de 2006 | 11h21

foto Patricia Campos Mello

Poucas semanas atrás, a polícia indiana descobriu 50 fetos mortos, todos do sexo feminino, dentro de um poço no Punjab, uma das regiões mais ricas do paísa. o poço era bem ao lado de uma clínica.

A localização não é mero acaso: o governo aprovou uma lei em 1994 proibindo o uso de exames de determinação do sexo do bebê, a não ser em casos específicos. Apesar disso, muitas clínicas oferecem esses exames, juntamente com os abortos de fetos do sexo feminino.

Os indianos preferem ter filhos homens para não precisar pagar os dotes do casamento. Ainda é prevalente na Índia o costume do dote, e muitas famílias não conseguem pagar dote para casar várias filhas.

Em seu livro mais recente, “The Argumentative Indian”, o economista indiano Amartya Sen, vencedor do Nobel, calcula, baseado em várias pesquisas, que exista um déficit de mais de 100 milhões de mulheres na índia e China, países que mais praticam esses abortos seletivos.

Em alguns estados, chegam a nascer apenas 700 mulheres para cada 1000 homens. Ele afirma que a desigualdade entre os os sexos é uma das grandes barreiras para o desenvolvimento.

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