Casamentos arranjados X PhDs modelo exportação

Estadão

28 de agosto de 2006 | 11h22

A seção de classificados do jornal Times of India é um retrato do contraste entre a Índia moderna e a Índia tradicional.Na terra onde os casamentos arranjados ainda são a maioria e grande parte das pessoas só se casa com alguém da mesma casta, a seção de matrimônios, com 10 páginas cheias de anúncios, é uma ode ao tradicionalismo.

“Menino Brâmane (casta superior), alto, bonito, educado nos Estados Unidos, procura menina linda, alta, magra, de pele clara e bem educada, de alto status, casta hindu”.

Bramanes casam com bramanes, agarwal (comerciantes) se unem a comerciantes, jains (de uma religião da Índia)a jains e por aí vai. Há várias castas e subcastas. Estar empregado em uma multinacional, ter pele clara, trabalhar para empresas de software como Wipro, Satyam ou TCS, também são atrativos. Para as mulheres, os anúncios falam sobre a riqueza dos pais, indicando que a noiva trará um bom dote. Sem falar nas várias menções ao mapa astral do pretendente, essenciais na hora de escolher seu parceiro.

Já a Índia moderna aparece na seção de classificados de educação.
São páginas e páginas de cursos preparatórios para o GMAT, GRE e TOEFL, exames necessários para entrar em universidades dos Estados Unidos. Recrutadores da Austrália e outros países anunciam também, em busca dos cobiçados cérebros indianos. Em troca, oferecem vistos de trabalho.

Há também cursos voltados para quem quer trabalhar nos call centers. os cursos ajudam a amenizar o sotaque indiano (basicamente, os cursos transformam a atendente Pooja, de Bangalore, em uma Tracy, supostamente do Texas, ajudando os clientes da Dell Computadores, por exemplo).