Tira o Martin Luther King da história….

Estadão

14 de janeiro de 2008 | 19h04

Estava demorando mesmo para acusações de racismo entrarem no noticiário de campanha. Hillary Clinton fez um comentário infeliz em entrevista à Fox News, dizendo que foi necessária a ação do presidente Lyndon Johnson para tornar o sonho de Martin Luther King realidade. No caso, ela queria contrastar seu perfil “gente que faz” com o perfil “gente que sonha” de Obama. Mas saiu pela culatra.

Falar qualquer coisa sobre Martin Luther King é mais ou menos como falar mal do Gandhi (ou da Madre Teresa – ou seja, é melhor deixar para polemistas como Christopher Hitchens, e não para político em busca de voto).

Aí comecaram a implicar também com uma observação do ex-presidente Bill Clinton, que afirmou que a história da oposição de Obama à guerra do Iraque, suas mudanças de posição e a falta de escrutínio da mídia eram um “conto de fadas”. Mas como sói acontecer, o contexto dse perdeu no meio do caminho, e começaram a dizer que Clinton estava sendo paternalista, dizendo que a candidatura de um negro era “um conto de fadas”.

Para por a cereja no bolo, um amigão dos Clinton, Robert L. Johnson, dono da Black Entertainment Television, disse em um evento que Hillary já estava defendendo os direitos dos negros enquanto “Obama fazia o que vocês sabem que ele fazia, ele disse no livro dele”. No caso, referia-se a admissão que Obama fez de ter usado cocaína nquando era jovem.

É a segunda vez que a campanha de Hillary levanta essa história – Hillary, mulher daquele que fuma mas não traga.

A justificativa foi de lascar – Johnson disse que estava se referindo ao trabalho comunitário de Obama, não ao uso de drogas. Ahã.

Não que a Hillary não esteja usando o sexo frágil na campanha. Aquela cena “Hillary também é gente”, quando os olhos dela se encheram de lágrimas ao responder a uma pergunta de eleitora, não teria colado no caso de um marmanjão. Ou teria?