Sati: a tragédia das viúvas indianas

Estadão

22 de setembro de 2006 | 14h39

Foto: Karin Dauch

Há pouco mais de um mês, Janakrani, uma mulher de 45 anos da tribo Gond, atirou-se na pira funerária de seu marido, no Estado de Madhya Pradesh, um dos mais pobres da Índia. Ela morreu queimada.

Janakrani cometeu “sati”, prática centenária hindu que leva as mulheres “honradas” a se suicidaram depois da morte dos maridos. Normalmente vestidas com as roupas de casamento, elas se atiram nas piras funerárias.

Historicamente, as viúvas tinham uma condição precária na Índia, sendo consideradas inúteis e impuras. O nome vem da deusa hindú Sati, mulher do deus Shiva, que se tornou uma “mulher honrada” ao se imolar na pira funerária de seu marido.

O ritual do sati foi banido em 1829, mas algumas mulheres da zona rural ainda o praticam. Antes da proibição, havia centenas de ocorrências de sati por ano, principalmente no Rajastão.

Foto: Patrícia Campos Mello

No Forte Mehrangarh, em Jodhpur, no Rajastão, esta placa representa as mãos das várias viúvas do marajá Singh que cometeram sati e morreram queimadas

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