Santo Agostinho e a crise nos Estados Unidos

Estadão

23 de fevereiro de 2009 | 15h30

Está óbvio que o povo americano precisa poupar. Depois de anos de orgias consumistas, o país está quebrado, com uma dívida que se aproxima dos US$ 12 tri lhões e no caso dos consumidores, ultrapassa 100% da renda.

O problema é o timing.

Como disse Santo Agostinho – “Deus, dê-me castidade, mas ainda não”

Se os consumidores americanos começarem a poupar agora, o país mergulha ainda mais na recessão. Então, como disse George W Bush depois de 11 de setembro – vão para a Disneylândia.

A dívida e o déficit são o bode na sala. E será necessário lidar com esses abacaxis para que a economia seja sustentável a médio prazo. Mas isso não pode começar agora, apesar de Barack Obama estar falando em redução do déficit até o final do mandato (porque o investidor em títulos do Tesouro está acompanhando de perto as projeções de déficit). No ano passado, aumentou a compra líquida de títulos do Tesouro dos EUA, mas isso principalmente porque muita gente se livrou de todos os títulos de Fannie Mae e Freddie Mac (que equivaliam a títulos do Tesouro por terem garantia implícita do governo) depois que elas quebraram e trocaram por Treasuries. Daqui para frente, apesar dos pedidos encarecidos da secretária de Estado Hillary Clinton à China, não sabemos se vai cair um pouco o interesse por Treasuries (no curto prazo é pouco provável, mas…)

Portanto, faça-nos austeros, mas ainda não.

A propósito, traduzo um e-mail que está circulando no mercado, enviado por um amigo meu que trabalha em Wall Street :

Alguns sinais de que o mercado vai mal:

– o jornal de domingo custa mais caro que a ação do The New York Times

– A taxa de caixa eletrônico do Citi é mais cara que a ação do banco

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