Realismo fantástico – a entrevista coletiva dos golpistas de Honduras

Estadão

07 de julho de 2009 | 19h49

Representantes do governo golpista de Honduras convocaram uma entrevista no National Press Club aqui em Washington.

Foi um circo.

Eles passaram uma hora tentando convencer os jornalistas de que a retirada do presidente Manuel Zelaya do país, de pijamas, com um fuzil no meio da cara, não foi um golpe de Estado. “Não há golpe de Estado porque a Suprema Corte e o Congresso fortam preservados – e toque de recolher, isso também adotamos quando há furacões, oras”, disse o deputado do partido Liberal Enrique Rodriguez.”Não houve golpe, o exército não assumiu o poder no país. Não é tudo preto e branco, bom contra ruim. Estamos aqui para explicar nosso lado da história.”

A coletiva foi interrompida por manifestantes de um grupo de esquerda de El Salvador, que trouxeram uma faixa e gritavam: “Fora golpistas, vocês têm sangue nas mãois”. Apoiadores de Roberto Micheletti, o presidente de facto, contra-atacaram: “Fora Chavistas”.

O Zelaya é um megalômano – ele achou que ia ser recebido com vivas e aplausos ao voltar para Tegucigalpa – ia levar era tiro se tivesse conseguiodo pousar o avião do Chávez. Durante seu mandato, ele conseguiu irritar todos os setores da sociedade hondurenha, desde a Igreja até os empresários.

Mas Zelaya foi eleito democraticamente – e precisa cumprir o mandato, a não ser que sofra um impeachment ou algum processo constitucional semelhante, se houver motivo para tal.

Comno disse o presidente Obama ontem, durante um discurso que fez em Moscou: “A América apóia a restauração do presidente de Honduras, apesar de ele ter se oposto fortemente às políticas dos EUA”, disse. “Não fazemos isso porque concordamos com ele (Zelaya); fazemos isso porque respeitamos o direito universal dos povos de elegerem seus próprios líderes, independentemente de nós concordarmos com esses líderes.”

Os golpistas, no entanto, acham que vão convencer a opinião pública de que não são golpistas. Por enquanto, só conseguiram ser recebidos pela direita da direita: a tropa anticastrista do Congresso.

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