Que vida de cão

Estadão

07 Dezembro 2006 | 22h07

De tempos em tempos, a gente se depara com uma frase que toca fundo no coração, como diriam nossos Wandos e Agepês.
“É como uma bolsa, mas com batimentos cardíacos”, disse uma fulana ao The New York Times, sobre os chihuahuas, yorkshires e outros microcachorros que se tornaram acessório obrigatório das socialites nova-iorquinas que se prezam. Não é uma pérola?

É preciso ter um cão lilliputiano para combinar com os stilettos Christian Loubotin e as enormes bolsas Chanel desta temporada. Os cães fashion acompanham suas donas por toda parte – nos restaurantes, no escritório, no cinema.

Eu já vi vários de capa de chuva amarela, chapéuzinho e mini-galochas. Não contentes, eles ganham “mordedores” Louis Vuitton….essa Paris Hilton é uma praga mesmo….

Ainda no tópico cães: foram recrutados 16 mil “cães terapeutas certificados” para ajudarem crianças a aprender a ler. O que? Hã? Isso mesmo. Os cachorros vão às escolas aqui dos Estados Unidos e ficam sentadinhos ao lado da criança, enquanto ela lê em voz alta.

Aparentemente, os cães terapeutas melhoram o desempenho das crianças, porque são um público sem preconceitos, que não faz julgamentos.

Cachorro acessório, cachorro ouvido de penico, isso tudo bem. Agora, cachorro normal, nem pensar.

Nem pense em fazer atividades caninas legítimas com seu animal. Aqui em Washington, é dificílimo achar um parque onde exista um cercadinho para soltar o cachorro.

Se você soltar o cachorro só um pouquinho, para o bicho correr, pegar uma bolinha, jogar um futebol, dá-lhe multa.

Coitada da Sarah, minha Border Collie que é a reencarnação do Garrincha.