Política externa – MIA nesta eleição

Estadão

20 Julho 2010 | 16h58

Como dizem os americanos, a política externa está MIA (missing in action) na discussão eleitoral brasileira. No máximo, a questão emerge ligada a temas polêmicos como narcotráfico e protecionismo. José Serra, por exemplo, afirmou que a Bolívia fazia corpo mole em relação ao narcotráfico. Depois criticou o Mercosul e, no domingo, falou que o Brasil cedeu demais à China. “Eu acho que nós damos muita canja aos chineses. Fazemos concessões exageradas à China. Eles são muito pragmáticos nessa matéria. Nós estamos exportando mão-de-obra demais e precisamos fortalecer nossas defesas e diminuir as concessões”, afirmou Serra a jornalistas em Recife, depois de participar de uma entrevista para uma emissora de rádio. “Vendemos o couro para que eles façam os sapatos e nos vendam. Isso é um absurdo. Nós estamos nos especializando em exportar empregos”, disse Serra a jornalistas, no Recife.
Serra também comparou o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a Hitler e Stalin. Marina Silva também fez reparo à aproximação do Brasil com países com histórico de desrespeito a direitos humanos, como Cuba e Irã.
Dilma e seu guru de política externa, Marco Aurélio Garcia, atacaram a oposição de Serra ao Mercosul e à Bolívia, dizendo que o tucano estaria ofendendo líderes dos países vizinhos.
Mas ainda não existem propostas mais concretas sobre os rumos da política externa brasileira. A oposição critica o fato de o governo Lula ter deixado de lado o relacionamento com os Estados Unidos, mas não oferece nenhuma alternativa mais concreta de como se reengajar com o país. Dilma aposta suas fichas na integração sul-americana e no Mercosul, mas não há propostas tangíveis para melhorar o relacionamento com os vizinhos, criando, por exemplo, um foro mais eficaz para lidar com medidas protecionistas da Argentina. Tanto oposição como o governo já admitem que a Rodada Doha dificilmente vai sair no médio prazo. Mas enquanto os tucanos pregam um maior engajamento do Brasil em acordos bilaterais de comércio, dilmistas pregam que os acordos devem ser feitos em conjunto com o Mercosul, a começar pela nova tentativa, aos 45 do segundo tempo, de acordo com a União Europeia.
A ver se, aos poucos, os candidatos vão mostrar mais sua sporpostas.