Os Estados Unidos estão prontos para um presidente negro?

Estadão

14 de novembro de 2006 | 20h47

“Conrad, como é que você consegue morar aí em Washington com todos esses niggers (palavra pejorativa para se referir a negros)?” Burns respondeu ao fazendeiro, rindo….”é, é um desafio mesmo….” Cerca de 70% da população de Washington, DC, são negros.

Conrad Burns, senador republicano por Montana, um estado muito frio e longínquo do norte dos Estados Unidos, não se reelegeu nesta eleição. Não foi por causa de seu racismo – o evento que eu descrevi aí em cima, flagrado pro jornalistas, foi em 1994. Já George Allen, candidato republicano ao senado de Virginia, foi derrotado em grande parte por seu racismo – chamou uma funcionária do adversário de “macaca” e acabou no You Tube. Harold Ford Jr, candidato negro ao senado do Tennessee, perdeu de seu adversário branco. Ford foi alvo de propagandas altamente racistas na TV.

Deval Patrick, eleito para o governo de Massachusetts, é apenas o segundo governador negro na história dos Estados Unidos.

Tudo isso para dizer o seguinte: será que os Estados Unidos estão prontos para ter um presidente negro?

Barack Obama, senador de Illinois, é uma estrela em ascensão. Obama foi capa da revista Time sob o título “O próximo presidente” e estampou até a revista Vogue Homem. Filho de pai queniano e mãe americana, ele é formado em economia em Harvard e eletriza as multidões com seus discursos. Seu livro mais recente – Audácia para ter esperança – está na lista dos mais vendidos do The New York Times. O único senão é sua inexperiência, ele está há pouco tempo no Senado.

Obama deve disputar a primária do partido Democrata com outra estrela – a senadora Hillary Clinton. No partido republicano, por enquanto, os presidenciáveis são homens e brancos – John Mc Cain, Rudy Giuliani e Mitt Romney.

Mas, de qualquer maneira, há boas chances de o próximo presidente dos Estados Unidos, em 2008, não ser um homem WASP (white, anglo-saxon, protestant), a chamada elite do país. Obama é negro, Hillary é mulher, Giuliani é ítalo-americano e católico, Mitt Romney é mórmon – sobra apenas McCain, o veterano do Vietnã que tentou a candidatura nas primárias de 2000, como WASP.

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