Obama Jones e Hillary Desmond?

Estadão

04 de junho de 2008 | 00h06

Estou aqui no meio das 18 mil pessoas que vieram ver o candidato Barack Obama anunciar que é o candidato do partido Democrata à presidência dos EUA. As pessoas gritam. Aplaudem. A cada plural majestático “Nós vamos fazer a mudança”, aplausos ensurdecedores. Enquanto Obama diz que “este é o momento em que o nível dos oceanos vai subir mais devagar e nosso planeta começa a sarar, este é o momento em que nós acabamos com a guerra”, a platéia toma forma de mega-missa evangélica, todos com os braços erguidos, como se estivessem em transe.Se ele trouxesse o Kool-Aid (Ki-suco) com veneno do Jim Jones, será que o pessoal tomava?

Hillary Clinton, enquanto isso, continua semeando a cizânia. Por que desistir da candidatura, só porque o outro ganhou? “Não vou tomar nenhuma decisão hoje à noite. Quero ouvir a opinião dos 18 milhões de eleitores que votaram em mim, entrem no website hillaryclinton.com”, disse Hillary, certamente não colaborando para unir o partido.

Mas ela terá que desligar as máquinas de sua candidatura até o final da semana – acho que só não queria dividir holofote com Obama, vai querer palco exclusivo, em outro dia.

A internet já está â toda com paródias sobre os dois personagens desta novela interminável. Um vídeoclip no You Tube mostra Obama ao som de Unforgettable, do Nat King Cole (na versão Unelectable – inelegível, ou impossível de eleger). Já uma sósia de Hillary Clinton interpreta uma delirante Norma Desmond em Crepúsculo dos Deuses. Melancólico.

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