O "rei" milho

Estadão

14 de outubro de 2007 | 20h27

O Brasil ganhou mais um aliado em sua luta contra os subsídios agrícolas dos Estados Unidos. “King Corn” (Rei Milho), documentário que acaba de estrear por aqui, mostra como o milho está por atrás da epidemia de obesidade que desafia a América. Nos moldes do “Supersize me”, o milho substitui o Big Mac como inimigo número um da dieta americana. Mas “King Corn” acaba funcionando como um poderoso libelo contra os milhões de dólares de subsídios dados aos plantadores de milho americanos.

O milho é um concorrente muito menos eficiente do nosso etanol de cana – aliás, o etanol de milho só consegue ser viável economicamente por causa dos subsídios. O temido lobby de Iowa está por trás das barreiras para exportação de etanol para os EUA.

Mas não são apenas os agricultores brasileiros (e de outros países) que sofrem por causa do regime de subsídios.

Em vez de dar incentivos para o plantio de frutas e verduras, o governo americano estimula a produção do milho, a partir do qual se fabrica o xarope de milho, adoçante onipresente em refrigerantes e junk food. Não parece uma decisão das mais acertadas num país onde a obesidade é problema de saúde pública

Pra completar, a febre do etanol do milho nos EUA encareceu a ração de suínos e frangos e causou um enorme e antiecológico aumento no consumo de água no país. E agora começa a pressionar preços de alimentos em todo o mundo.

Assistir ao documentário deveria ser obrigatório para os congressistas americanos prestes a votar a lei agrícola, a legislação que a cada cinco anos enche os agricultores de subsídios, a despeito de protestos no mundo inteiro.

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