O príncipe e a imensa desolação branca

Estadão

02 de janeiro de 2008 | 23h10

Foi mais ou menos como o Menudo em épocas áureas, quando os porto-riquenhos lotavam o estádio do Morumbi. Ou o Rodrigo Santoro diante de platéias mais afoitas. Mas era o príncipe na imensa desolação nevada de Iowa – Barack Obama.

Quando o senador do Illinois subiu no palanque montado no meio de um prédio histórico aqui em Cedar Rapids, Iowa, as pessoas começaram a gritar. E não pararam mais. Testemunhei a mágica em ação. Era como se fosse um ídolo de rock – Obama Obama Obama! E ele só sorria. Começou a discursar, e as pessoas batiam palmas, cantavam, não paravam de gritar seu nome.

O carisma do senador é realmente impressionante. Ele não se aprofunda em nenhuma proposta, não sei se é tática ou falta de idéia. Desfia um rosário de males de Washington e se diz contra o establishment atual. Não especifica o que vai fazer a respeito.

Mas que sorriso. Piadas no timing certo. E menções à santíssima trindade dos liberais – Martin Luther King, John F Kennedy e Bill Clinton.

Bem no começo, Obama justifica sua candidatura, considerada prematura por alguns – “a feroz urgência do agora”, como bem disse Dr King.

O senador foi ridicularizado por dizer que iria negociar até com os inimigos dos EUA, como Irã.
Ah é? Tomem, críticos, um vintage John F Kennedy – “Não negocie por medo, mas não tenha medo de negociar”

Por fim, o ultraje definitivo a Hillary Clinton e suas platéias mais contidas.

“Também disseram que Bill Clinton era inexperiente, como eu”.

Pouca gente saiu de lá sabendo como ele vai fazer o que diz querer fazer. Mas muita gente saiu encantada. Resta saber se mágica vira voto amanhã no caucus.