O Papa nos EUA

Estadão

16 de abril de 2008 | 11h28

O Pastor Um, apelido do avião da Alitalia que transporta o papa, pousou às 15h50 de ontem em solo americano. O Presidente George W Bush, a primeira-dama Laura e a filha Jenna receberam o papa pessoalmente – é a primeira vez que Bush concede a honra de receber um chefe de Estado na base aaérea de Andrews.

Bento estava sorridente, com seus indefectíveis mocassins Prada vermelhos e cabelos ao vento. Ele foi recebido com vivas e aplausos dos convidados autorizados a entrar na base. Bento acenou, mas não beijou o chão, como costumava fazer seu antecessor, o carismático papa João Paulo II. O presidente Bush apertou a mão do Papa, enquanto os cardeais beijaram a mão do pontífice e se curvaram.

Durante o vôo do Vaticano a Washington, o papa falou longamente sobre os escândalos de abuso sexual que eclodiram em 2002 nos EUA, envolvendo mais de 5 mil padres e milhares de fiéis. Os Estados Unidos são a terceira maior nação católica do mundo. Mas os escândalos sexuais arranharam seriamente a reputação da Igreja no país e já custaram aos cofres do Vaticano mais de US$ 2 bilhões em indenizações.

Hoje de manhã, cerca de 12 mil pessoas receberam o papa no gramado da Casa Branca. Nessa cerimônia oficial de boas-vindas, Bento XVI foi recepcionado com os hinos dos EUA e da Santa Sé e uma saudação de 21 tiros. Depois, ele terá um encontro com Bush no Salão Oval.
Apesar de ser protestante, o presidente americano tem muita afinidade com católicos e indicou vários deles para seu gabinete. Assessores brincam que Bush é um “católico que não saiu do armário”.

Bush e Bento XVI têm muitas afinidades – ambos são contra casamento gay e aborto. O papa é um americanófilo confesso. Bush parou de beber e Bento XVI prefere Fanta laranja ao vinho. Na sexta-feira, em entrevista a uma rede católica, Bush afirmou que “vê Deus” quando olha nos olhos do papa Bento XVI.

Mas os dois divergem em relação à pena de morte e à guerra do Iraque. Quando o papa soube da invasão no Iraque, teria erguido os bracos e gritado, em italiano: “Basta!”. O papa também deve falar com Bush sobre a expulsão de imigrantes ilegais nos EUA.

Mas não se espera que Bento XVI venha dar lição de moral. Ele hoje prega uma retirada gradual do Iraque, com cuidados especialmente em relação às minorias cristãs do país.

À noite, marcando o aniversário de 81 anos do Papa, haverá um jantar de gala na Casa Branca – sem a presença do pontífice. Mesmo ausente, o papa será homenageado com um menu bávaro. Vários líderes da Igreja estarão lá, representrando Bento XVI.

Amanhã de manhã, o papa fará uma missa para 46 mil fiéis no estádio do time de beisebol Nationals. Ingressos para a missa do Papa no estádio dos National estão sendo disputados a tapa. Só alguns afortunados ganharam entradas de seus padres –mas já há ingressos à venda no site de leilões eBay, por US$ 500.

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