O ocaso do "eixo do mal" da gordura

Estadão

16 de novembro de 2006 | 19h54

Nova York está avaliando uma lei que vai brecar o uso de gordura trans – a vilã da moda – nos cerca de 20 mil restaurantes da cidade. Gordura trans é aquela quimicamente modificada, apontada como a maior culpada por doenças do coração. As autoridades nova-iorquinas querem impor um limite de 0,5 gramas por porção de qualquer cheese cake, big mac, baked potato, nacho, ou porcaria engordurada vendida por lá.

O chamado lobby da gordura já começou a gritar. Enquanto grandes empresas estão substituindo a gordura trans de seus produtos por outras menos prejudiciais (vários biscoitos, pizzas, doces, aqui e no Brasil, já trocaram de ingrediente), os pequenos estabelecimentos estão chiando.

A proibição da gordura trans pode ser a morte do que a revista New Yorker batizou de “eixo do mal da gordura” : restaurantes latinos, chineses e afro-americanos. Esses estabelecimentos teriam dificuldades em trocar de gordura, abrir mão de algumas banhas, mudar o sabor das comidas.

“O que é isso, um país comunista?”, disse à New Yorker o gerente de um restaurante cubano. Já os italianos, que usam azeite de oliva, estão a salvo.

Está certo que trocar de gordura não é nenhum grande sacrifício. Segundo especialistas, há vários tipos de gordura, como a de palma, oliva e outras, que não são trans. Até manteiga é melhor do que a trans.

Mas essa sanha regulatória que impera por aqui incomoda. O governo está sempre dizendo o que os cidadãos podem fazer. Em Nova York, há proibições contra ferrets (furões), pequenos aviões, celulares em escola, fumo em bares, criação de abelhas, tinta com chumbo, etc.

E depois dizem que os libertários é que são esquisitos. Uns 200 deles se juntaram e criaram uma “nação independente” em New Hampshire, para fugir da ingerência do governo. Lá no “Estado Livre”, ninguém paga imposto, não se usa cinto de segurança e todo mundo fuma dentro do restaurante. Gordura trans então, corre solta….

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