O ocaso da liga dos hipócritas

Estadão

03 de setembro de 2007 | 19h20

A liga dos hipócritas sofreu uma sucessão de reveses nos últimos tempos.

O mais recente, como muitos de vocês devem ter visto, foi o flagrante do senador
Larry Craig em um banheiro do aeroporto de Minnesotta. Craig foi pego fazendo sinais de solicitação sexual para um policial à paisana. Estava batendo o pé no chão e estendendo a mão por debaixo da divisória do banheiro – sinal clássico descrito no manual do sexo com desconhecidos em locais públicos (ou cruising, como chama por aqui). O senador confessou o crime de má conduta em local público. Mas, quando a história veio a tona, dois meses depois, negou.

Craig, grande representante da bancada dos “valores familiares”, sempre se opôs à permissão de casamento gay e outras medidas anti-discriminação de homossexuais.

Em sua primeira entrevista à TV, saiu-se com esta pérola: “Eu não sou gay e nunca fui gay”. Como se ser gay fosse um problema. Ou o problema.
A emenda é sempre pior que o soneto. Depois de muita pressão de senadores de seu partido, ele anunciou que vai renunciar no final de setembro.

O caso de Bob Allen, um deputado da Flórida, chega a ser patético.

Allen foi preso no início de agosto oferecendo dinheiro para um policial à paisana fazer sexo oral, também em um banheiro público.

Allen, como legítimo integrante da liga dos hipócritas, também é um defensor de legislação anti-gay.

Mas a tentativa desse deputado de se explicar ultrapassa qualquer limite do razoável.

Ele argumentou que o policial era um “homem negro fortão” e como só havia negros em volta, “ele fez o que podia para sobreviver”. Claro, qualquer pessoa que se vê cercada de pessoas de outra raça em um banheiro acha que vai morrer então se oferece para pagar por sexo oral para sobreviver.

Ou seja, além de hipócrita, é mentiroso e racista.

Ted Haggard, o poderoso e ultra conservador pastor evangélico que era íntimo do presidente Bush, foi “expulso” do armário por um prostituto. E também se saiu com uma desculpa lúdicra – ele só teria recebido massagens do prostituto.

E Mark Foley – deputado da bancada de defesa de menores que assediava estagiários do congresso por MSN – lançou mão da desgastada desculpa do álcool. Era alcoólatra e estava bêbado quando mandou as mensagens.

Também não colou. Esse pessoal não aprende a deixar a hipocrisia em casa.

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