O maior dos patos mancos

Estadão

29 de novembro de 2008 | 16h27

Na quarta-feira passada, o presidente George W. Bush perdeu boa parte da manhã perdoando Pumpkin e Pecan, os dois perus que escaparam do jantar de ação de graças e voaram para a Disneylândia.

Enquanto isso, o presidente-eleito Barack Obama se ocupava de assuntos mais prementes. Em Chicago, Obama anunciava a criação de um comitê de recuperação da economia, com a participação do venerando ex-presidente do Fed Paul Volcker.

O dia foi um bom exemplo da dinâmica do governo americano nos últimos dias: enquanto Bush se restringe a funções puramente cerimoniais, Obama já toca uma espécie de governo paralelo, embora insista que só existe um presidente de cada vez.

“De fato, só existe um presidente de cada vez, e esse presidente é Barack Obama – Bush já está com as malas na porta”, disse-me Paul Light, especialista em transição presidencial da New York University.”Bush não tem mais se pronunciado muito sobre a crise e quando o faz, ninguém presta atenção. Obama sabe que esta crise é dele”, diz Light.

Obama está seguindo um caminho bastante diferente do trilhado pelo ex-presidente Franklin Roosevelt, que se manteve completamente distante durante a transição (naquela época a posse era em março) para não se associar de maneira nenhuma com o fracassado governo de Herbert Hoover. Mas, com isso, quando ele assumiu, a crise – a Depressão de 30 – tinha assumido proporções catastróficas.

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